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À QUALQUER CUSTO – O Definitivo Western moderno!

É interessante notar como ainda há muitos do meio cinéfilo que se questionam se filmes como “Onde os Fracos não tem Vez” dos irmãos Coen pode ser considerado um verdadeiro Western, afinal já que este se passa em um palco dos dias atuais e não no tempo áureos dos Cowboys armados à cavalo, com lutas morais entre o bem e o mal, o crime e a justiça.
Mas creio que talvez agora esse último filme do subestimadíssimo David Mackenzie ponha um fim a essa dúvida e questionamento. Pois, mesmo com sua faceta de um (ótimo) filme policial e de crime/assalto transposto na trama central, encontramos sim, aqui, um digno Western feito nos dias de hoje.

Onde o vasto deserto do Oeste moderno, cheio de marcas de passado, se torna aqui o palco para o embate entre o crime e a justiça que aflige os seus ricos personagens. De um lado, os dois irmãos com seus atos criminosos no intuito de salvar a fazenda da família, e do outro, os dois policiais que apenas querem cumprir o seu dever, mas que o questionam a todo o tempo. Onde o teor da força masculina, uma eterna marca do gênero, é assim posta em verdadeira prova; no que diz respeito à moral e a justiça, e ao ambiente em decadência e ainda vasto e belíssimo em que vivem. Ao mesmo tempo, em que se torna um retrato tão atual de uma vasta terra esquecida pelo mundo e a crise que aflige a todos em que vive, onde todo o senso de justiça e o bem vs mal são completamente distorcidos em uma eterna luta pela sobrevivência.

E é deveras, realmente impossível apontar quaisquer falhas em um filme que praticamente se constrói tão perfeitamente, no que diz respeito à ótima direção de Mackenzie que constrói a tensão e o drama de sua história sempre nos pontos certos; o soberbo roteiro de Taylor Sheridan que constrói cada diálogo sempre com um cuidado psicológico e emocional com todos seus personagens em cena; e ao seu fantástico elenco com brilhantes Ben Foster com sua violência prestes a explodir mas com um sentimento de amor e lealdade enormes para com seu irmão, um charmoso Chris Pine que carrega vários sentimentos de solidão e arrependimento em seus singelos olhares; e o confronto destes com um sempre ilustre Jeff Bridges. Ignorantes dirão que ele aqui apenas reprisa o papel dele de “Bravura Indômita“, onde na verdade ele está mais para Tommy Lee Jones de “Onde os Fracos não tem Vez“, um velho cão moribundo daquele ambiente, onde seu corpo se habituou a violência, mas não a sua clara mente.

                          

 

Talvez o ritmo seja “demasiado lento?!”, mas ao mesmo tempo este é proposital, e serve para construir de forma tão realista, e se pá poética, a narrativa e a relação dos seus personagens e o inevitável clímax final. Onde nenhum feroz tiroteio é páreo para o embate moral entre o crime e a justiça, mas o que é realmente justiça nesse mundo?! Talvez ela esteja guardada bem no fundo dos sentimentos e expelida para fora nas atitudes de seus personagens. Que formam aqui este ilustríssimo filme, com uma maturidade e astúcia de criar uma mensagem tão atual dentro de um tenso e dramático filme de assalto que resgata o melhor do gênero Western com seu rico e belíssimo ambiente marcado pela violência e injustiça que o assola, e a luta pela sobrevivência do mais forte (e inteligente). Então não, não temos um Western moderno aqui, temos sim um verdadeiro e digníssimo Western!

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