REPRESENTATIVIDADE E AMOR – Festival do Rio 2018

O amor entre mulheres e sua representatividade merecida!

A 20ª edição do Festival do Rio acabou de acontecer na capital fluminense, entre os dias 1 e 11 de Novembro o festival trouxe, em sua programação, produções de toda parte do globo. Grandes nomes do cinema tiveram seus trabalhos exibidos, assim como nomes pouco falados da indústria, atores conhecidos do grande público e também novos rostos para serem lembrados. Muito pode ser falado dessa 20ª edição, mas em particular, a presença feminina e sua representatividade, precisa de um merecido destaque. 

representatividade lgbt festival do rio 2018

Na direção, a presença das mulheres é bastante significativa, marcando espaço em todas as mostras do festival, incluindo a de documentário, na qual são a maioria, dirigindo quatro dos seis títulos selecionados. As mulheres se encontram em importantes narrativas e em vivências necessárias de serem contadas, seja em frente as câmeras  ou por trás delas. 

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Pensando nisso, o Cinema ATM preparou um especial falando de algumas produções que trazem para o Festival desse ano a representatividade das mulheres LGBTQ de forma pertinente e bem construída.

1 – O Mau Exemplo de Cameron Post (The Miseducation of Cameron Post)

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O Mau Exemplo de Cameron Post acompanha a história da jovem Cameron (Chloe Grace Moretz) e sua ida à um centro religioso de conversão para jovens com “tendências” homossexuais. O longa dirigido por Desiree Akhavan é uma adaptação do livro homônimo e foi o vencedor do grande prêmio do Júri no Festival de Sundance desse ano.


Um dos filmes mais aguardados por quem vos escreve e indiscutivelmente uma grata surpresa, em todos os sentidos. O roteiro toca em temas sérios e nos entrega uma narrativa correta e respeitosa no tratamento desses temas. Uma das melhores produções do Festival desse ano e um filme necessário para todas as pessoas.

2 – Rafiki (Rafiki)

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A história acompanha duas garotas quenianas, Kena (Samantha Mugatsia) filha de um conhecido político que tenta a reeleição e Ziki (Sheila Munyiva), filha do político rival. Em meio a disputa política de seus pais as duas se conhecem e começam uma forte amizade, quando o sentimento se transforma, elas precisam decidir entre o amor e o medo por suas vidas em uma sociedade extremamente conservadora.

Dirigido pela diretora Wanuri Kahiu, o filme enfrentou problemas de exibição no Quênia, país no qual a homossexualidade é considerada crime, mas mesmo com todas as barreiras tem ganhado o mundo e sendo aclamado em festivais, como o Festival de Cannes e era o maior cotado para representar o país no Oscar 2019.

3 – Colette (Colette)

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O longa Colette conta a vida da romancista francesa Sidonie Gabrielle Colette que deixa um casamento abusivo para trás e em meio a luta por independência profissional e liberdade sexual emerge como um grande nome da literatura.

Baseado em fatos reais, o filme protagonizado por Keira Knightley e dirigido por Wash Westmoreland é uma história inspiradora sobre coragem e empoderamento. Apesar do longa não ser dirigido por uma mulher, aqui encontramos uma representação coerente e sem fetichismos (o que, infelizmente, encontramos muito em produções do gênero dirigidas por homens).

4 – Carmen & Lola (Carmen and Lola)

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O longa espanhol traz a história de Carmen (Rosy Rodriguez) e Lola (Zaira Romero) duas jovens integrantes da comunidade cigana europeia que se apaixonam e precisam lidar com a cultura tradicional e conservadora que as cercam. O filme dirigido pela diretora Arantxa Echevarria aborda assuntos relevantes, além dos preconceitos com relação a sexualidade, o longa toca na questão das comunidades ciganas no continente europeu.

Outros filmes dirigidos por mulheres e também com representatividade LGBTQ que foram exibidos no Festival não entraram na lista, porém vale a conferida na programação, galera.  Lembrando que o Festival do Rio 2018 chegou ao fim, mas que todos esses filmes ainda entrarão em circuito nacional e é importante serem prestigiados, atentos ao cinema.

REPRESENTATIVIDADE IMPORTA! 


Sobre o Autor

Paula C. Carvalho
Graduanda em História pela UFRRJ e aspirante a crítica de cinema. Viciada em cinema, maratonas de series e viagens literárias.

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