cinema brasileiro

Crítica: “Eu te amo Renato”

    Direção: Fabiano Cafure
Ano de Lançamento: 2012
  Elenco: Ingrid Conte, Vinicius Moulin, Flávia Arruda…

Sinopse:
Nos final dos anos 90, na cidade de Valença (Rio de Janeiro), três jovens partem em uma jornada pessoal marcada pela desilusão do fim de uma era, pelas descobertas sexuais e pelas canções de Renato Russo.

 Crítica: 
Assisti ao filme porque a foto promocional em meio a algumas pesquisas me chamou atenção, essa é a verdade, porque até então nem nunca tinha ouvido falar. Não pela minha falta de interesse no cinema brasileiro, muito pelo contrário, mas é que com toda essa onda de filmes sobre e para Renato Russo, ele meio que se perdeu entre umas homenagens e outras.
O longa conta a história de um trio de amigos que em meio a algumas cachaças e Legião como trilha sonora, descobrem o que é o sexo entre si, amores não compreendidos e amores perdidos. O film se torna bem genérico e dentro dos primeiros quinze minutos se tem ideia do que vai acontecer no final, já vimos essa história antes. Mas não é um filme ruim, tem alguns aspectos falhos, mas no modo geral é um bom filme.

É complicado fazer uma crítica para um filme brasileiro, sendo ele bom ou ruim, não pelo gramado do vizinho ser mais verde, mas sim pela expectativa que se cria sobre um filme nacional. – Vai ser bom dessa vez? Não vai? “Ah o cinema brasileiro não presta!” – mas de forma geral o filme precisa ser visto como um todo e não baseado em sua nacionalidade, temos muita merda, mas também temos coisas muito boas e “Eu te amo Renato” tá entre ai.
Em alguns momentos do filme, principalmente onde só se tem os três jovens se amando e aquela música perfeita de Legião Urbana tocando no fundo, parece que o filme foi dirigido pelo próprio Renato Russo, é o clipe perfeito para a música perfeita. Não há aquela força na atuação ou cena, dá pra sentir que é algo natural, dá pra sentir o desejo e a paixão dos personagens. Mas ainda assim o filme se resume a sexo, dentro e fora do trio principal, o roteiro – escasso que é – força uma poesia constante, as vezes bem declarada, as vezes não, mostrando o quão forçado está a atuação dos atores, independente do filme ter baixos recursos ou não.

Os personagens terceiros, como o pai, o irmão, a mãe e a louca do bar, de nada acrescentam e poderiam nem sequer existir no filme, são desnecessários do começo ao fim. A relação dos personagens não é explorada de forma alguma, é só sexo na fazenda. A trilha sonora é boa, além das músicas de Renato Russo ainda tem Janis Joplin, Eric Clapton, Paralamas e os clichês afins.
Parece ter sido filmado todo em um fim de semana, os cortes são bem propositais e o final além de ser incrivelmente previsível e clichê não nos dá nada que acrescente tanto para um desfecho quanto para um futuro em aberto.

Parece que Fabiano Cafure se focou mais na trilha sonora e em produzir algumas cenas de clipe musical do que na história em si, mas não é de se negar que o filme tem uma linda fotografia.
O filme foi selecionado para ser exibido no Rio Festival Gay de Cinema em 2013, a intenção é boa, mas falhou no processo. Em meio a isso, é um longa pra conhecer, sentir vontade de escutar Legião Urbana e deixar pra lá.
O filme foi diretamente disponibilizado na internet:

 

Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Pseudo escritora, artista plástica nas horas vagas. Criadora e colunista principal do site Cinema ATM.

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