cinema francês

SÉRIE ATM – A LOUVA-A-DEUS (La Mante) 2017 – CRÍTICA

Hoje vamos falar sobre mais uma das séries policiais da Netflix. De origem francesa, A Louva-a-Deus a série traz a personagem Jeanne Carro, uma mãe que cometeu assassinatos em série de 8 homens que eram pais ou maridos horríveis que torturavam suas famílias e após 25 anos de sua prisão um imitador começa a repetir os seus crimes, mesmo com os métodos não tendo sido revelados ao público.

Considerada uma psicopata, Jeanne se oferece para ajudar a polícia desde que possa ver novamente seu filho Damien, que atualmente faz parte da força policial da cidade. Damien não aceita a mãe, entendendo que a mesma escolheu o prazer dos crimes ao invés de ficar com ele. Temos aqui a posição do policial cuja vida se construiu em cima da mentira de que sua mãe teria morrido em um acidente aéreo, pedido de Jeanne para que o filho pudesse ter uma vida normal. Não bastasse o trauma do abandono o personagem possui dificuldades em construir laços amorosos com sua esposa, que deseja ter um filho, por achar que também possa ser um psicopata e acabar por criar uma criança tão traumatizada quanto ele.

Aceitando participar da investigação para evitar mais mortes, Damien acaba por ir cada vez mais esticando as mentiras para proteger o seu segredo, o que aumenta as desconfianças tanto da esposa quanto da equipe de policiais que trabalham com ele. A equipe de investigação usa as informações de Damien para chegar mais perto do assassino, mas sem aceitar sua posição de superior jogado do nada. A policial Szofia que cresceu dentro do departamento, e que deveria ser a próxima na sucessão questiona cada decisão dele e busca entender porque alguém de fora mereceria mais o cargo do que ela.

Não seguindo a linha original da assassina, os alvos parecem homens comuns e que amam suas famílias. Apenas Damien e o capitão sabem e usam dos conhecimentos da assassina, tendo problemas para manter o resto da equipe às escuras e ao mesmo tempo atentos a investigação.

Cabe aqui ressaltar que a série já se vale pela atuação de Carole Bouquet, que vive a assassina original. A Bond Girl de 007 Somente Para Seus Olhos de 1981, dá vida a esta personagem com maestria, mostrando total desprezo pelos outros seres humanos, exceto por Damien e por aqueles que buscam ajuda-lo a ser feliz. O papel de Jeanne na série é de um equilíbrio que é impossível não sentir uma certa empatia pela personagem. Mesmo com as fotos dos assassinatos brutais você compreende a personagem, como ela chegou nesse ponto e o carinho que ela tem pelo filho. Ao final da história você se compadece da personagem e até se sente de certa forma grato pela mesma tomar certas atitudes quando outras pessoas nada fizeram.

A Louva-a-Deus se desenrola baseada na investigação e sempre traçando um ponto com os motivos que levaram Jeanne a cometer os assassinatos e, consequentemente sair de perto de seu filho. Por diversos momentos a série busca enganar o telespectador e nos fazer crer que o criminoso já foi pego, mas nada é bem o que parece até o desenrolar dos últimos capítulos.

O ponto mais fraco da série é a “investigação” da esposa de Damien tentando entender sobre o passado do marido e porque o mesmo nunca fala sobre a mãe. O ritmo da série despenca quando ela entra em cena e isso acaba atrapalhando um pouco, mas suas participações são necessárias para que a série chegue a sua conclusão.

Ao mesmo tempo que se trata de uma série policial, não sentimos falta dos clichês de investigadores fumantes, relações incestuosas e cenas de tiroteio exageradas ausentes na série.  É uma trama interessante e com um desfecho digno que encerra todas as questões apresentadas a série. Para quem gosta de uma trama policial ou de relações familiares conturbadas por segredos, A Louva-a-Deus é uma série interessante e que merece sua atenção.

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Equipe Nerdolooucos
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