SHADE: ENTRE BRUXAS E HERÓIS (2018) – CRÍTICA

De Raško Miljković, Shade – entre bruxas e heróis (ou “Zlogonje” em seu original sérvio) traz o pequeno Jovan, interpretado pelo carismático estreante Mihajlo Milavic, alternando suas rotinas escolar e familiar com o eletrizante dia-a-dia de seu alter ego superpoderoso, Shade. Acompanhado de sua nova colega Milica, a também estreante Silma Mahmuti, Jovan equilibra sua infância entre o real, o fantástico, e o possível. Shade entre bruxas e heróis crítica

Shade entre bruxas e heróis crítica

Portador de paralisia cerebral parcial, a locomoção de Jovan o faz se enxergar através de um filtro diminuidor. Comparado aos demais colegas, o menino se entende como interrompido, incapaz, e encontra em Shade – portador de todas as características desejadas por seu inventor – a libertação de tudo aquilo que o perturba. Jovan, além disso, está a beira de mudanças bruscas: a chegada de uma nova colega de classe, atritos constantes entre seus pais, e a carga crescente da fisioterapia que ocupa a maior parte de seus dias. Como sobreviver, se não sendo super?

Aos moldes de Sete Minutos depois da Meia-noite, em Shade – entre bruxas e heróis acompanhamos uma criança sonhadora em um mundo real demais. Ambos os filmes apresentam narrativas fantásticas originadas de situações palpáveis, mas onde a imaginação é escape em “Sete Minutos”, em Shade – entre bruxas e heróis é uma manifestação natural de desejos e experiências. Vemos crianças conscientes, decodificando numa linguagem própria não apenas o outro, mas também suas próprias individualidades.

Shade entre bruxas e heróis crítica

As sequências onde Jovan encarna Shade são divertidas e bem produzidas, captando o expectador o suficiente para até considerar a possibilidade de um filme de fato fantástico sobre o personagem. Acompanhados de uma trilha sonora atmosférica e igualmente bem produzida, tais momentos vêm carregados de maravilha e expansão, tornando instigante a imaginação de seu protagonista. Quem disse que voar da janela do seu quarto até o espaço não traz a mesma sensação de pegar o ônibus até a cidade pela primeira vez, quando ainda se é pequeno demais para enxergas todas as luzes?

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A relação estabelecida entre Jovan e Milica se mostra um ponto alto. Livres da dinâmica de cortejo, as crianças se descobrem enquanto grandes companheiros sem pressões. O bom humor com o qual a amizade se constrói traz sorrisos e riso, e nada além de uma leve e sincera união nos é exibida na tela. Milica também traz consigo sua realidade, tão presente no enredo quanto Jovan e Shade – o que dizem as bruxas sobre o que ela carrega apertado no peito?

Shade – entre bruxas e heróis é uma aventura épica, do pátio da escola aos covis de criaturas sorrateiras, e um convite à empatia e ao afeto. O filme estreia no circuito brasileiro em 24 de Janeiro – agora você tem uma data marcada para lembrar de quando o mundo ainda estava todo além da calçada de casa.

CRÍTICA REALIZADA POR GABRIEL FOLENA 


Sobre o Autor

Dandara Aryadne
Editora, Artista plástica, ilustradora. Criadora e web influencer do site Cinema ATM onde escrevo algumas coisinhas sobre os filmes que assisto.

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