BLEACH (2018) – Live Action – CRÍTICA:

BLEACH – Um dos melhores live actions da década!

É de praxe sentir aquele frio na espinha cada vez que um Live Action é anunciado, mas quando o primeiro trailer de Bleach foi liberado, eu já estava completamente rendida. Como fã antiga da saga, é um desafio escrever algo que não soe apenas como um pedido desesperado para que você vá assistir esse filme, mas vou tentar.

Para os que não estão familiarizados com a história, Bleach segue a vida de Ichigo Kurosaki, um estudante do ensino médio que consegue ver e interagir com espíritos. Até aí, tudo bem. Vindo de uma família de certo modo sensitiva, ver e interagir com os mortos é algo bem normal para ele.

Os problemas de Ichigo só começam quando uma estranha figura aparece em seu quarto. Kuchiki Rukia é uma Ceifeira de Almas em meio a uma caçada a uma criatura chamada Hollow. As histórias dos dois convergem quando a criatura em questão põe a família de Ichigo em perigo e, para salvá-los, ele acaba tomando emprestado o poder de Rukia e se torna um Ceifeiro.

Mas agora que você está ciente do que Bleach fala, vamos focar no importante: a adaptação. A coisa mais importante numa adaptação em live action é saber exatamente aonde cortar, o que cortar e o que não cortar e o que pode ser deixado para um possível segundo filme. Bleach executa isso com maestria. Assim como em Tokyo Ghoul, a adaptação de Bleach se atém aos eventos da primeira temporada, no entanto, Bleach teve mais ousadia ao se desfazer de alguns detalhes, modificar outros e ainda assim manter uma ótima qualidade de filme.

Kon, por exemplo, tem sua existência completamente apagada no filme. E isso é um ponto positivo. No anime, Kon é uma espécie de alívio cômico que não casaria com o peso que o diretor Shinsuke Sato deu ao filme. Não há espaço pra comicidade típica de anime aqui. O live action de Bleach é muito mais maduro e pesado. É cuidadosamente focado e montado para agradar aqueles que, assim como eu, cresceram lendo o manga. Talvez seja esse o motivo do seu sucesso: uma diluição nas ações dramáticas/cômicas das personagens e um enfoque direto na história em si.

É preciso entender que live actions e animes são mídias diferentes que agradam a públicos diferentes. Ainda que live actions sejam pensados para agradar ao público que já é fã das histórias. Enquanto animes podem se dar ao luxo de espalhar uma ou outra piada aqui e ali e desenvolver historias paralelas e até mesmo se utilizar de episódios fillers, um live action precisa prender o público de tal forma a não dar espaço para distrações. E isso só é possível quando um bom roteiro encontra boas atuações.

Boas atuações são decisivas em adaptações de tal modo que fazem com que detalhes pequenos que fãs adoram esmiuçar não tenham tanta importância. Em Bleach, nos vemos tão focados na trama que o fato de tanto o ator mirim que interpreta o pequeno Ichigo e Orihime não terem cabelos laranjas é perdoável.

Não é como se você não notasse. É só que o resultado do filme é tão bom, que isso não importa. Essa escolha de figurino que preza mais por um conteúdo visualmente harmônico do que pela fidelidade extremada ao produto original. Novamente se mostrou como um caminho certo a se seguir. Nada de perucas mal feitas e mal postas. Eu estou olhando para você, Fullmetal Alchemist.

Bleach traz Sota Fukushi (Kamen Rider) como Ichigo e Hana Sugisaki (Mugen no junin) como Rukia. Na tela, a dupla interpreta com maestria a relação agridoce dos personagens no ponto certo com todas as discussões dos dois e até mesmo com a habilidade mais marcante em Rukia: seus desenhos.

O elenco também traz Miyavi como ator mais uma vez na pele de Byakuya Kuchiki. É preciso também abrir um parêntesis aqui, porque embora Byakuya tome as vezes de um possível vilão, ele não o é. Byakuya é capitão de uma das divisões de Ceifeiros da Soul Society; é uma pessoa que vive pelas regras sem se importar se elas ferem ou não aqueles que estão ao seu redor.

E para não me estender muito, resta dizer que Bleach soube fazer um final perfeito com um fechamento certo que não deixa a história pendente para outro filmes. Mas com um gancho mínimo que deixa o expectador com vontade de assistir mais dessa história. É possível que vejamos um segundo filme de Bleach. Caso a recepção do público siga sendo tão boa. E de verdade, eu espero mesmo que sim.

Com roteiro de Daisuke Habara e Tite Kubo (mangaká) e sob a direção de Shinsuke Sato, Bleach não só agrada os fãs como definitivamente crava seu lugar na lista de melhores adaptações de live action da última década.

CRITICA DE LIMÃO

TOKYO GHOUL (2017) – CRÍTICA :

TOKYO GHOUL:  FINALMENTE um live action que podemos aproveitar!

O público de anime em geral sabe bem como é a sensação agridoce de esperar uma adaptação Live Action e com os recentes fracassos absurdos que tem sido apresentados – eu estou olhando pra vocês dois Death Note e Fullmetal Alchemist – é bem óbvio que cada nova notícia de adaptação venha seguida de muita decepção e temor. Foi como me senti quando soube que Tokyo Ghoul seria adaptado para uma live action e por temer a decepção que esse filme seria, covardemente me abstive de assisti-lo.

Foi um erro.

Tokyo Ghoul é uma história que mescla elementos de terror fantástico com o dia a dia da sociedade japonesa atual. Os ghouls são criaturas de aparência humana que se alimentam de humanos e, por isso, são caçados por uma organização governamental. No filme, acompanhamos a história de Kaneki Ken, um jovem tímido que pensa ter tirado a sorte grande quando consegue um encontro com a garota de seus sonhos.

Infelizmente ela estava interessada no coração dele de um modo literal demais. Ao ser atacado, Kaneki e Rize sofrem um acidente e o jovem acaba recebendo parte dos órgãos de Rize para continuar vivendo. E é aí que todo o pesadelo dele se inicia. Como um ghoul, Kaneki agora tem que se acostumar com seu novo estilo de vida, mas ainda sendo meio humano, ele não está disposto a abrir mão de tudo que sua humanidade representa.

O roteiro se atém aos eventos da primeira temporada da saga clássica do anime e isso foi um dos pontos que fizeram Tokyo Ghoul funcionar como live-action: dar ao expectador tempo para que ele comece a se importar com as personagens. Isso é um ponto em que Live actions costumam esquecer muito facilmente e acabam destruindo a narrativa por conta disso. Por mais que live actions sejam feitos pensando em um público que já é fã da história, algumas produções parecem esquecer que você precisa se importar com aquele personagem para aturar duas horas de filme sobre ele. Tanto faz se ele é mocinho ou vilão.

Inclusive, em Tokyo Ghoul essa linha é bem tênue. Enquanto Kaneki e os outros ghouls tentam viver uma vida pacífica dentro do possível, eles ainda são predadores extremamente poderosos; e ao mesmo tempo que a CCG – o órgão governamental criado para o combate aos ghouls – protege a humanidade do extermínio, eles se mostram como criaturas sádicas, sem piedade alguma.

Yo Oizumi (Fullmetal Alchemist) faz uma atuação incrível no papel de Kureo Mado, o principal antagonista do longa. Masakata Kubota (Death Note) consegue expressar toda a doçura de Kaneki e a insanidade pulsante das partes de Rize dentro de seu corpo, com facilidade. E Fumika Shimizu (Kamen Rider) fecha a tríade conseguindo fazer o que o anime não conseguiu. Com que eu me importasse de fato com Kirishima Touka.

Quanto ao figurino, eu poderia ficar horas falando e agradecendo pelo trabalho maravilhoso que essa produção teve. E pela sabedoria em evitar o uso de perucas mal feitas. Tokyo Ghoul prezou bastante pela verossimilhança, modificando uma coisa ou outra para que tudo se encaixasse de uma forma harmônica. Rize, por exemplo, tem os cabelos roxos no anime. O longa optou por cabelos castanhos e saiu-se bem melhor com essa escolha.

Dos pontos fracos, tenho poucos a mencionar. Quem sabe um pouco menos de dramaticidade em um ponto ou outro e um pouco menos de brilho nas kakunes. Que são uma espécie de extensão corporal que ghouls podem exibir quando precisam lutar – em certas cenas.

Com direção de Kentarou Hagiwara e roteiro de Ichirou Kusuno e Sui Ishida (o criador de Tokyo Ghoul), o longa é um presente para quem é e para quem não é fã da série. E deixa seu lugar marcado no topo de adaptações de live action.

CRITICA DE LIMÃO