MARY AND THE WITCH’S FLOWER – CRÍTICA:

MARY AND THE WITCH’S FLOWER – TENTA, MAS O FILME NÃO CHEGA LÁ

Quando as primeiras imagens de Mary and the Witch’s flower apareceram eu logo supus ser um novo longa do Studio Ghibli e minha suposição, embora errada, tinha fundamento: a estética do filme era praticamente idêntica à usada pelo Studo Ghibli em seus longas. Assim, quando o nome Studio Ponoc apareceu em tela, cheguei a ficar confusa por um minuto.

O Studio Ponoc foi fundado em 2015 pelo ex-produtor do Studio Ghibli, Yoshiaki Nishimura, daí já é possível entender o porquê das semelhanças, e Mary and the Witch’s flower é seu primeiro longa metragem.

Mary and the Witch’s flower é uma adaptação do livro The Little Broomstick (1971), da britânica Mary Stewart. A trama segue o cotidiano de Mary, uma animada jovem de cabelos vermelhos que acaba de mudar-se para a casa de sua tia-avó. Sem muito que fazer dentro ou fora da casa, Mary um dia acaba seguindo um misterioso gatinho e encontra um flor rara e desconhecida, que ela decide colher. E é aí que tudo começa: a flor, conhecida como flor da bruxa – daí o título -, dá a menina uma porção de poderes mágicos – que duram apenas por uma noite – que possibilitam que ela consiga acordar uma vassoura mágica, ler escrita bruxa e até mesmo se matricular numa escola de magia.

Em certas partes, a sensação é de assistir um híbrido de Harry Potter com Kiki’s Delivery Service e Howl’s Moving Castle.  Mary, assim como Harry, é vista como especial e apresenta habilidades mágicas incomuns. Harry tem parseltongue, já em Mary a questão é mais genérica e ela apenas tem habilidades mágicas muito mais poderosas que o comum. Assim como Harry, Mary não tem muita noção do que está fazendo em quase 90% do tempo. E depende da ajuda de outros para que as coisas deem certo.

Mary tem como companheiro um gato preto, que nesse caso pertence à Peter, um menino do povoado próximo que acaba por se tornar o par. E eu uso a palavra par aqui do modo mais livre e desprendido de significado romântico que você possa imaginar. 

Mary and the Witch’s flower é um filme bom e é isso. É muito bem executado e os cenários são incríveis, com uma alta gama de detalhes, e os personagens são carismáticos e bem construídos. No entanto, ele também tem alguns pontos falhos e um desses certamente é relacionado à estética usada. Olha, eu entendo que você, assim como eu, provavelmente também ainda não está cansado do Studio Ghibli e poderia consumir mais horas e horas de animações de lá. Mas o caso aqui é outro.

Embora Mary and the Witch’s flower  tenha uma direção de arte primorosa O Ponoc é um estúdio novo que precisa caminhar sobre as próprias pernas. Se esconder à sobra do Ghibli só vai fazer mal ao seu desenvolvimento. Escolher trabalhar com um traço quase idêntico ao Ghibli me parece um tiro no pé. Especialmente porque o próprio Nishimura afirmou, na ocasião da criação do estúdio, que gostaria que seus futuros trabalhos fossem o oposto dos anteriores.

Colocando isso de lado, Mary and the Witch’s flower é um filme fantástico. Leve, que prende a atenção e que confirma que podemos esperar grandes coisas do Studio Ponoc. É esperado que o segundo filme do estúdio saia na segunda metade de 2018, então vale a pena se manter atento. 

CRÍTICA DE LIMÃO

HOTARUBI NO MORI E (2011) – DICA ATM:

HOTARUBI NO MORI E- Uma adaptação emocionante!

Há pouco mais de um mês assisti um video aleatório pela internet e logo nos primeiros segundos percebi algo familiar nele. A escolha de uma música triste ( King de Lauren Aquilina)  o traço e a paleta suave já deram pistas de que se travava de um trabalho de Yuki Midorikawa e eu não estava errada. Se tratava de Hotarubi no mori e.

Hotarubi no mori e (Into the forest of fireflies light) é uma adaptação produzida em 2011 do mangá homônimo lançado em 2002, dirigido por Takahiro Omori (Durarara!!, Natsume Yuujincho) e com roteiro de Yukihiro Shibuya, a animação foi considerada um hit em seu lançamento, chegando a levar o prêmio como de melhor animação no Mainichi Films Award.

A história acompanha a vida de Hotaru, uma ativa menina de seis anos que tem por costume visitar o monte próximo à casa de seus tios, aonde passa as férias de verão. Em uma dessas visitas ela se perde e, após cair no choro, é acudida por um indivíduo mascarado chamado Gin. Pensando se tratar de uma pessoa, Hotaru corre a seu encontro mas é surpreendida pela esquiva de Gin, que lhe explica que ele é uma yokai enfeitiçado e que, por isso, não pode encostar em humanos ou sua existência será apagada. Gin a guia para fora da floresta e como agradecimento ela passa a retornar todos os dias para conversar com ele.

Conforme os anos passam, Hotaru não esquece sua promessa e continua visitando Gin. Os sentimentos entre os dois crescem continuamente com o passar do tempo ainda que a incerteza de um futuro juntos se faça sempre presente. 

Ainda que tenha uma atmosfera triste, Hotarubi no mori e apresenta uma paleta clara e divertida, bem típica das animações japonesas deste estilo. O que só ajuda a entender porque o filme chegou a ser comparado com produções do Studio Ghibli. O fato de ter uma duração pequena também ajuda para que a história se desenrole de maneira rápida e concisa. Não há tempo para voltas e reviravoltas.

A trilha sonora, nas mãos de Makoto Yoshimori, é uma pérola a mais em tudo isso. É impossível não imergir completamente na atmosfera da história e se deixar ser completamente movido por ela.

CRÍTICA DE LIMÃO