CINDERELA POP (2019) – CRÍTICA:

Cinderela Pop – Uma divertida releitura do clássico conto

A leva de filmes com roteiros adaptados de livros teen têm crescido no Brasil nos últimos anos. Só de 2015 para cá tivemos Tudo Por Um Popstar; Fala Sério, Mãe; É Fada e Meus 15 anos. Mais e mais autoras nacionais fazem sucesso entre os adolescentes. E o mercado audiovisual acompanha o ritmo. Lançado em fevereiro, Cinderela Pop segue portanto essa linha e faz uma engraçada e divertida releitura do clássico conto de fadas.

Cinderela Pop

O filme segue a história de Cíntia (Maísa), uma adolescente que sonha em se tornar DJ profissional. Com a separação de seus pais, ela ganha uma madrasta malvada (Fernanda Paes Leme) e duas irmãs postiças (Letícia Pedro e Kiria Malheiros). Elas fazem de tudo para atrapalhar seus objetivos. Diferente do original, em que as doze badaladas marcavam o fim do baile, a meia noite aqui marca o fim do seu set como DJ. E a volta a sua realidade como adolescente normal.

O mais divertido para mim foi ver a maneira como Cinderela Pop se conectou com a realidade dos adolescentes de um jeito inteligente e fora do comum. A protagonista é dona de si. Forte e moderninha, como podemos dizer. Diferente da releitura da Disney nos anos 2000, imortalizada no clássico, A Nova Cinderela com Hilary Duff como a principal. Não senti um peso tão grande na parte dramática. Sobretudo gostei que os pais não estivessem mortos, como geralmente é contada a história. Eles na verdade têm um papel central, e a relação de Cíntia com sua mãe é muito bem explorada.

Cinderela Pop

As atuações são boas e convincentes. Para quem conhece e acompanha o trabalho da Maísa, pode rolar a impressão de que ela interpretava a si mesma. O que não é um super problema afinal complementa a personagem. O príncipe Freddy Prince foi interpretado por Felipe Bragança (Eu Fico Loko) e sua prima e fiel companheira ficou a cargo de Giogava Grigio (Eu Fico Loko, Chiquititas).

Com direção de Bruno Garotti (Tudo Por um Popstar), Cinderela Pop tem o roteiro assinado por Bruno Garotti, Flávia Lins Marcelo Saback. Paula Pimenta, autora do livro homônimo que inspirou a obra também faz participa da criação. Recentemente inserido no catálogo da Netflix, já está disponível no Brasil e em diversos países.

YONLU ( 2017 ) – DICA ATM:

Yonlu é um filme nacional dirigido por Hique Montanari. Que conta a história do músico Vinícius Gageiro Marques, também conhecido pelo pseudônimo “Yonlu”. A vítima do primeiro caso de suicídio assistido pela internet do Brasil. Em março de 2019 a película ganhou o prêmio Humanidade e de melhor ator, no festival de cinema New Renaissance em Amsterdam.

Yonlu crítica cinema nacional

Vinícius Gageiro Marques, também conhecido como Yonlu, foi um jovem porto alegrense filho de uma psicanalista e um professor universitário. Devido ao trabalho da mãe ele se mudou para França com 3 anos de idade, onde foi alfabetizado em francês. Também se tornara fluente em inglês, espanhol e galês antes dos 9 anos de idade.

Vinicius também tinha uma grande aptidão musical. Começou a tocar bateria aos 4 anos e posteriormente piano e guitarra. Devido a essas mesmas destrezas seu pai dizia que ele tinha um tipo de “desvio químico”. O que o fez ter acompanhamento terapêutico desde muito cedo.

Yonlu crítica cinema nacional

Vinicius produziu muitas músicas sozinho, em seu quarto e as compartilhava em fóruns e blogs online. Posteriormente a sua morte, a Allegro Discos lançou sua obra e Yonlu foi considerado um gênio musical internacional. Foi online também que Vinícius encontrou espaço para expor sua depressão e deslocamento.

No filme, Hique Montanari trás uma visão contemplativa do artista que foi Yonlu. O diretor trata desse tema delicado, que é o suicídio, de forma delicada e ao mesmo tempo brutal. O longa usa de uma narrativa bem fluída, poética e extremamente contemplativa. Se apoiando nas músicas compostas por Yonlu e nos desenhos deixados por ele. Mas passa longe de romantizar o caso ou vitimizar a figura de Yonlu.

Yonlu crítica cinema nacional

Ele aparentemente busca descascar o personagem e mostrar todas as camadas do seu psicológico, até chegar na inquietação que o levou ao suicídio. Sem justificar ou romantizar o ato, mas respeitando o legado artístico de Yonlu. É esteticamente lindo, a atuação de Thalles Cabral, que quase beira um monólogo existencialista, não tem erros. E no final o longa nos deixa com nó na garganta e coração apertado.