IT A COISA 2 ( 2019 ) CRÍTICA :

IT – A COISA 2: Uma boa apresentação mas que perde no terror e intenção.

Levando em consideração o peso em que a Warner, tem sob suas costas em relação a continuação de IT: A Coisa. Segue um aumento em peso das expectativas por cima de IT: A Coisa 2. Não só no quesito produção, em comparação com o filme anterior de 2017. Mas, levando em consideração a produção como um produto. Visto que o primeiro filme teve uma superprodução, e faturou em sua bilheteria US$ 700 milhões. Tornando-se um triunfo para o gênero de terror nos cinemas. Para que assim supere seu antecessor.

IT: A Coisa 2

Novamente temos um alto orçamento deliberado pela Warner para IT: A Coisa 2. Com intuito de não apenas seguir uma narrativa de acordo com a obra literária (já que é uma adaptação). Como também introduzir a origem do palhaço maníaco, Pennywise. IT: A Coisa 2 entrega uma boa adaptação. Porém, sua falha da-se em buscar entregar um show de CGI junto à uma longa duração em tela. No qual falta de coesão no ritmo de sua narrativa.

Devido a um roteiro bem circular no capitulo I, o grupo enquanto criança são atacados e aterrorizados por uma entidade maligna. Que em comparação com a sequência perde-se muito a correlação com as diversas histórias. Apresentando a IT: A Coisa 2 um ritmo lento, cansativo e com inúmeros momentos paralelos da narrativa. Já para manter a essência do terror, eles utilizam dois recursos: O primeiro; é o jumps-scares e o segundo; o uso incisivo de CGI que de certa forma possa vir a incomodar muitos. Já que tira todo o realismo em torno das cenas.

IT: A Coisa 2

A trama de IT: A Coisa 2 se perde em seu segundo ato. Isso ocorre já que toda construção formada dos personagens chega através de flashbacks… De grosso modo, teve um erro na direção de edição já que muitas cenas contidas no filme, poderiam apenas não serem inclusas. Para que assim não tirasse a coesão, muito menos a sensação em que o suspense tentava passar em devidos momentos. Mesmo assim, a direção optou por takes individuais de cada um dos membros do losers club. Causando mais desgaste de cenas já conhecidas. 

No entanto a causa do ritmo arrastado de IT: A Coisa 2 não gira em torno da belíssima fotografia e estilo criativo do diretor Andy Muschietti. Que junto ao roteirista Gary Dauberman mantiveram, de forma respeitosa, as determinadas cenas esperadas pelos leitores da obra. Porém, novamente dá-se a má construção dos flashbacks transparecendo inúmeras vezes dificuldade em manter o telespectador vibrado com as nuances passadas em tela.  Com isso, uma narrativa arrastada e um ritmo muito lento fizeram com que o clima de interesse decaísse inúmeras vezes.

IT: A Coisa 2

De acordo com as personalidades e caracterização já apresentadas pelos atores juvenis do capitulo 1. Desta vez temos o ilustre James McAvoy, que por outra certifica-nos como um dos atores mais eficientes de Hollywood e destaca-se como o protagonista Bill. Bill Hader, como Richie, adulto torna-se o alivio cômico do filme. Ele consegue trazer todo o drama que rege o personagem e ainda inserir humor. E claro, o aclamado Bill Skarsgard, Pennywise que desta vez o mesmo incluiu outras personalidades ao macabro palhaço.

IT: A Coisa 2

Contudo IT: A Coisa 2 é uma boa sequência. Os flashbacks ajudam sim ao espectador a montar uma imagem dos protagonistas. Assim como abordam temas sobre: abusos, traumas e solidão. Porém isso poderia ser feito de uma forma mais enxuta. De certa forma IT: A Coisa 2 é inferior ao capitulo 1. Mesmo que haja uma magnificência em torno deste projeto em que foi adicionado humor, aventura e drama. Fazendo com que o terror transparecesse apenas uma fobia de criança.

TED BUNDY, A IRRESISTÍVEL FACE DO MAL – CRÍTICA:

Ted Bundy – O VELHO CASO DE HOLLYWOOD ROMANTIZAR PSICOPATAS

O longa foi baseado em fatos ocorridos na década de 70. Contando como Theodore Robert Bundy, um homem charmoso e amável, era também um assassino em série. Que matou, pelo menos, 30 mulheres em sete estados estadunidenses durante a décadas de 1970. O filme mostra os detalhes do relacionamento entre Ted Bundy (Zac Efron) e Elizabeth Kloepfer (Lily Collins). Durante o período de sua atuação como um serial killer.

Ted Bundy

Ted Bundy é dirigido por Joe Berlinger. Em comparação à série, também dirigida por ele, tem um conteúdo bastante romantizado. Que é devido a buscarem relatar histórias de forma veraz, mesmo que haja licença poética. As principais diferenças entre documentário e dramaturgia está na relação que o cineasta assume todo o conteúdo retido no filme. Implicam com a veracidade transformando em uma glamourização a história do serial killer.

Um dos pontos positivos de todo Ted Bundy, como filme dar-se a parte do cenário, locações, figurino, no qual foi feito com maestria! Inclusive as cenas de julgamento foram estás recriadas tal qual como os fatos. Com isso, temos as incríveis performances de Zac Efron e John Malkovich (como o juiz Edward Cowart). Algumas alterações foram feitas em relação a cronologia dos fatos e aos lugares em que eles aconteceram.

Ted Bundy

Entretanto o longa ainda aborda um tema muito importante que é a “glamorização do absurdo”. Isto é, devido os crimes cometidos por Ted Bundy. Que além de serem televisionados contavam com uma legião de seguidoras. Contudo, a audácia de abordar o tema citado acima, torna-se perigosa já que em toda a duração do longa não fica implícito se de fato ele era culpado ou não.

É claro que ainda existem pessoas fascinadas em estudar mentes e descobrir quais distúrbios psicológicos que Ted, portava. Mas este debate ao menos foi incluso no filme. Por outro lado à opção no qual a direção buscou foi mostrar um homem feliz, bom pai, bom marido, ótimo cidadão do bem e dos bons costumes.

Ted Bundy

No momento atual de impugnação, em que mulheres de todo o mundo vem lutando por reparação históricas, junto a críticas sob o sistema judiciário, essa ausência de representatividade das vitimas e do senso crítico ressoa bastante grave. Não será espantoso descobrir expectadores incomodados com o filme.

Afinal, nenhum feminicida merece uma exposição honrada com seus atos romantizados. Ted Bundy foi um misógino, que cometeu crimes como: estupro, sequestro, feminicídio e assassinato. Hollywood não precisa de filmes que venham promover visibilidade à misóginos, o filme claramente entrega uma personalidade ‘humanizada’ de um homem que não teve nenhuma base de humanidade.