FIRST GIRL I LOVED (2016) – DICA ATM:

FIRST GIRL I LOVED: TRama com boas intenções, mas que decepciona

First Girl I Loved é um coming of age norte americano, bem recebido na edição de 2016 do Festival de Sundance, ganhou a categoria The Best Of Next (prêmio do público). Dirigido e roteirizado por Kerem Sanga, o longa trata da descoberta da sexualidade, seus tabus e as dúvidas típicas da adolescência.

First Girl I Loved crítica 2016

Na trama de First Girl I Loved acompanhamos a adolescente Anne (Dylan Gelula), que se vê apaixonada por Sasha (Brianna Hildebrand), jogadora do time de Softball do colégio. Ambas desenvolvem uma amizade que aos poucos se torna algo além. Poderíamos facilmente inserir essa premissa em qualquer comédia romântica para adolescentes se colocássemos no protagonismo um casal heterossexual, porém, o foco aqui são duas meninas, isso mudo tudo e eu explico o motivo.

Ao nos atentarmos as produções cinematográficas “voltadas” ao público LGBTQ, raramente nos deparamos com narrativas leves, temos sempre a sombra do preconceito e da não aceitação permeando as relações amorosas, salve raras exceções como Com amor, Simon (2018)  que pega essas questões e nos entrega um desfecho diferente. Justamente por não ser uma dessas exceções, First Girl I Loved, mesmo possuindo uma premissa muito encontrada em filmes adolescentes, é completamente diferente. Aqui tudo é mais pesado.

First Girl I Loved crítica 2016

Temos aqui duas personagens passando pela descoberta do primeiro amor e pelo turbilhão de sentimentos e questionamentos que a percepção da sexualidade nos traz, vemos aqui as dúvidas e os medos, tudo isso bem refletido nas atitudes das personagens. Anne é a menina tímida que tira fotos para o anuário e Sasha a garota popular que joga no time da escola.

O roteiro trabalha a relação delas de forma crescente, mesmo acontecendo rápido, acompanhamos o passo a passo. Aliás, um dos poucos acertos do roteiro (se não o único) é a construção das personagens, conseguimos conhecê-las e o mais importante, conseguimos entendê-las. Um adendo para o ótimo trabalho de Brianna Hildebrand (Deadpool 1 e 2/ As Garotas da Tragédia) e Dylan Gelula (Unbreakable Kimmy Schmidt), muito confortáveis nos papeis.

First Girl I Loved crítica 2016

Porém, o roteiro peca nos demais quesitos. A começar pela forma irresponsável que lida com alguns temas delicados, como abuso sexual e violência psicológica. Deixando implícito e não lidando abertamente com os temas, acaba por parecer uma tentativa de trazer mais dramaticidade ou peso ao roteiro, só que feita de maneira equivocada.

A inserção de um “triângulo amoroso” incluindo Clifton (Mateo Arias), o amigo apaixonado por Anne, também não se encaixa bem. O personagem é dispensável visto que o roteiro não aprofunda as temáticas que deveria, o que daria sentido ao personagem.

First Girl I Loved crítica 2016

Na realidade, First Girl I Loved carrega muito potencial, mas infelizmente deixa a desejar e decepciona. Preferindo ir por caminhos já conhecidos, a produção não inova e cai na mesmice. Sundance aprovou, então pode ser que eu esteja descrente nesse mar de produções LGBTQ duvidosas que me cerca e por isso completamente equivocada? Pode ser, talvez. Deixo a critério de vocês a conferida.

CURIOSIDADES

  • Brianna Hildebrand usou uma peruca durante o longa por ainda estar com o visual da sua personagem em Deadpool.

Nota 6

ANA E VITÓRIA ( 2018 ) – CRÍTICA:

ANA E VITÓRIA: É tão singular… A singularidade dos amores modernos

Se a frase “ué, mas elas têm tão pouco tempo de carreira e já vão lançar um filme?” passou pela sua cabeça ao descobrir que o duo ANAVITÓRIA iria lançar um filme, eu tenho uma notícia pra você: esqueça tudo que você pensou a respeito desse filme e assista Ana e Vitória.

Ana e Vitória filme crítica

Ana Clara Caetano e Vitória Falcão formam o duo ANAVITÓRIA, vindas do Tocantins, mais precisamente de Araguaína, começaram a carreira com vídeos no youtube e estouraram para o Brasil em 2015. No longa, as meninas interpretam elas mesmas e parte do momento exato em que ambas se conhecem.

O fato de interpretarem elas mesmas e de acompanharmos a trajetória artística das meninas não significa que temos aqui uma biografia e é aí que Ana e Vitória ganha pontos. Na produção, assinada por Matheus Souza (Apenas o Fim, 2008), não temos uma biografia das artistas mostrando cada passo galgado até a fama, a carreira das meninas é usada como pano de fundo para uma comédia romântica moderna, doce e leve.

Ana e Vitória filme crítica

Ana é romântica, acredita no amor da vida e busca ele a todo instante, tira do amor e suas nuances toda a inspiração das canções que escreve. Vitória é doce e engraçada, enquanto tenta se encontrar nesse mundo enorme vai vivendo experiências e amores.

O encontro das duas é único e verdadeiro. As meninas se encontram bem no papel delas mesmas, todos sabemos que ambas não são atrizes, e isso não incomoda. Elas entregam duas “personagens” que só sabemos amar, naturais e com uma química incrível, a intimidade que possuem fica nítido em todas as cenas.

Ana e Vitória filme crítica

E falando em encontro, acredito que a peça chave do roteiro se dá nos encontros das meninas, uma com a outra, e também com outras pessoas. É aí que o roteiro entra em temas atuais como  os relacionamentos modernos, bissexualidade e a presença constante das redes sociais. Tudo da forma mais simples possível, essa é a proposta da narrativa, uma comédia romântica jovem e despretensiosa. Não sabemos o que de ficção e de realidade o longa possui, sabemos que possui doses dos dois e que funcionou muito bem.

Dois acertos que merecem menção são os diálogos e a escolha das músicas. Você vai se apaixonar pelos diálogos, engraçados e inteligentes, e vai ficar com o coração apertado todas as vezes que usarem da música para expressar o que sentem. Todas as músicas se encaixam perfeitamente (se você não ouviu “O Tempo É Agora” por Deus, corre).

Ana e Vitória filme crítica

Ana e Vitória ganha em buscar ser uma comédia romântica jovem e não uma biografia. Agradando até mesmo quem nunca ouviu uma música sequer da dupla. Por isso, o pouco foco que o roteiro dá a carreira das meninas não é algo ruim. Aqui o que importa são as relações humanas apresentadas. Seja você fã ou não das meninas de Araguaína, recomendo dar uma chance.

NOTA: 8

CURIOSIDADES  

  • Talvez você se pegue pensando no destino das formigas que por ventura já ingeriu.
  • Fritura em dia de tristeza não engorda