KLAUS (#originalnetflix) – CRÍTICA:

Klaus: A Netflix nos relembra o que o Natal realmente significa

A nova animação original Netflix, Klaus, traz de volta o Natal em sua mais pura essência. Conversa sobre amizade, amor ao próximo e é claro, conta a “origem” do nosso querido Papai Noel.

Klaus netflix

Jesper (Jason Schwartzman) é o filho mimado de uma família rica. Seu pai é dono de uma empresa de correios e quer ensinar a Jasper os valores do trabalho, assim como o que o serviço de um carteiro realmente significa. Por isso ele manda Jasper para Smeerenburg, uma cidade no meio do nada, onde existe uma rixa antiga entre duas famílias.

Essa é a sinopse básica de “Klaus”. Mas o filme é muito mais do que realmente parece ser. É incrível a forma como Sergio Pablos criou um filme cheio de camadas lindas, completas e com histórias fechadas sobre a simples expressão “espírito natalino“.

Klaus netflix

Jasper precisa aprender o valor do trabalho, mas aprende o valor da amizade. Conquista o amor, a fé em si próprio e ainda muda toda uma cidade, que na base da empatia e da generosidade de um simples sapinho de brinquedo, realiza que, brigas em vão, não nos levar a lugar nenhum.

Klaus (J. K. Simmons) é tudo o que o Papai Noel deveria ser. Gentil, doce, grande, confiável… Mas também sofreu e precisa aprender a confiar novamente. Sua inesperada amizade com Jasper irá lhe dar motivação para viver alegremente.

Klaus netflix

Sinceramente, o trabalho da STXfilms, roteiro e direção de Sergio Pablos e Carlos Martínez López cria uma animação com detalhes impecáveis. Cada nuance do roteiro acrescenta momentos preciosos nesta narrativa encantada.

A intenção da produção foi uma experiência bem sucedida da fusão entre 2d e 3d moderno, com influências desde o trabalho realizado em Tarzan e Atlantis. Ressaltando a intenção da nostalgia natalina. Os brinquedos, os personagens secundários, a cidade, tudo foi pensado com cuidado.

Klaus netflix

Klaus” pode parecer só mais uma animação infantil sobre Natal ou Papai Noel, mas não é. É o filme que lhe vai causar aquele quentinho no coração e lhe lembrar da verdadeira essência do Natal, de que gentileza sempre irá gerar gentileza e que acima de tudo, nunca devemos desistir de nossos sonhos.

DOUTOR SONO (2019) – CRÍTICA:

O ano de 2019 tem sido interessante para as obras de Stephen King. Depois do a impactante sequência de It: A Coisa e da adaptação de Campo do Medo, pela Netflix, é a vez de descobrir o que aconteceu com Wendy e Danny Torrance na sequência do icônico O Iluminado; Doutor Sono.

Doutor Sono

Não é surpresa que grande parte do público ainda esteja apegada fortemente ao filme de Stanley Kubrick, que é uma das adaptações mais aclamada e amada pelos fãs. O que deixou Mike Flanagan com o desafio de criar um longa que não só conversasse com o passado, mas que tivesse um sopro de novidade. E a notícia boa é que o diretor faz isso com uma precisão quase cirúrgica.

Doutor Sono nos apresenta a um Danny Torrance (Ewan McGregor) em seus 40 anos. Ele é, de início, nada mais do que uma “casca humana” recheada de violência e alcoolismo. Danny, que aprendeu como conter os fantasmas de seu passado, não “brilha” mais, e está contente com seu emprego como enfermeiro em uma clínica para doentes terminais.

Doutor Sono

Tudo parece melhorar pra Danny quando ele consegue se manter sóbrio, empregado e moderadamente feliz. Da sua antiga vida só sobraram uma estranha habilidade premonitória à morte e um estranho amigo com quem Danny se corresponde por mensagens escritas em sua parede.

O correspondente de Danny é a jovem Abra Stone (Kyliegh Curran), uma pré-adolescente de 13 anos que também é iluminada. Sua habilidade, tão absurdamente maior que Danny possuía quando criança, não demora a ser notada por um grupo denominado O Nó. Seres obscuros que se alimentam de pessoas iluminadas.

Doutor Sono

Ciente do perigo, Abra pede que Danny a ajude a lutar. Abra é corajosa, astuta e por vezes, até impiedosa. É ela que movimenta as coisas, instiga que Danny aja e se recusa a voltar atrás. E aqui é o ponto que difere tanto esses dois personagens: enquanto Danny, fruto de uma vida instável, quer se esconder e fugir. Abra entende de primeira que lutar é a única escolha. Esconder sua iluminação é impossível dado ao volume bruto de sua força psíquica. E fugir seria apenas adiar o inevitável.

Com 2h30m de duração, Doutor Sono é um presente primoroso para os fãs de terror. Sem se aparar em muletas como jump scares baratos, Mike Flanagan entregou um filme bem feito. Bem editado, com maestria no uso de efeitos práticos e principalmente com um roteiro inteligente, especialmente a partir do segundo ato.

Doutor Sono

Dizer que Doutor Sono é uma obra tensa é falar pouco. Especialmente porque, comparado a O Iluminado, em Doutor Sono temos mais coisas em risco. Enquanto no filme de 1980 a narrativa se resumia ao Hotel Overlook, em Doutor Sono as portas se abrem pra revelar um mundo faminto com perigos nos lugares mais inesperados.

Na questão de referências ao passado, Flanagan bebe da fonte sem pudor algum. Seja reutilizando a impactante trilha sonora ou refilmando a cena em plano baixo onde Danny passeia pelo hotel em seu triciclo. E esses detalhes funcionam muito bem pra deixar a narrativa rica. Mas não são usados à exaustão a ponto de fazer Doutor Sono funcionar apenas na nostalgia. No final, Doutor Sono lembra-se de fazer o que O Iluminado não fez e fecha de vez a história do Hotel Overlook. Ou quase.