AQUAMAN – CRÍTICA – A VOLTA DA DC RAIZ:

AQUAMAN: “De onde eu venho o mar leva nossas lágrimas embora.”

Desde quando Jason Momoa foi escolhido para viver o herói Aquaman criamos uma suspeita muito grande de como seria seu filme solo. Depois do semi-fiasco de Liga da Justiça Parte 1, a expectativa para o aguardado filme de origem do herói aumentou, ainda mais na esperança de que James Wan pudesse ajudar a salvar um dos heróis mais injustiçados da DC.  
Aquaman filme crítica
Eis que depois de meses, com trailers gigantescos, finalmente o nosso momento dcnauta chegou! Em outras palavras, Aquaman é, sem sombra de dúvidas, um dos melhores filmes de super heróis da DC (entra no TOP10 e isso é dizer MUITO).  
Direto da abertura recebemos essas incríveis referências sobre filmes e histórias de monstros aquáticos com Lovecraft e suas criaturas inaminaveis e até mesmo Disney (não pense que eu não vi Warner), com A Pequena Sereia e é claro, Atlantis, tudo isso para destacar a incrível direção de arte e fotografia que Aquaman apresenta. Da mesma forma que, cada personagem possui sua paleta de cores específicas, Atlântida é um reino de cores neons e naves em formatos de peixes raros, as explosões de cores completam enquadramentos abertos, simples e muito bem feitos. Quero parabenizar a qualidade estimável da direção de arte e fotografia de Don Burgess (Naufrago, Invocação do Mal). 
Aquaman filme crítica
Não podemos deixar de agraciar com elogios o roteiro de Will Beall e David Leslie, figurinhas repetidas em parceria com James Wan, que transformaram o personagem de Weisinger e Norris em algo refrescante de assistir (primeira piadinha com água, não posso evitar) – Somos levados por easter eggs muito bem vindos da antiga visão do personagem (a repaginação do uniforme do herói, sua telepatia com os animais, o reino de Atlântida e a história original do Rei Atlan), mas também ganhamos a fase dos Novos 52, Legião do Mal e um toque bem leve do Renascimento que ainda está em publicação aberta. Portanto, como resultado recebemos o dever de casa completo em adaptação e é esse o melhor diferencial da DC. 
Aquaman filme crítica
Sobre aprender com seus erros, a Warner/DC finalmente acertou o nível certo de humor e ação. As piadas não estão soltas, mas sim compõem a intenção do roteiro, completando as cenas de ação e emoção. Cenas de ação altamente bem coreografadas (me surpreendeu em dublê da Nicole Kidman, me surpreendeu demais). Inteligentes, levemente absurdas (é um filme de super-herói da DC, dá um perdão), com a trilha sonora completando cada segmento. Sem defeitos nessa parte.  
Jason Momoa é o novo Aquaman que a nossa geração precisa, carregando os erros da Liga sozinho nas costas. Ele consegue adaptar o personagem e entrega uma personalidade bem destoante. Momoa não tenta ser o que ele não é. E sendo ele mesmo se deu um excelente Aquaman.
Aquaman filme crítica
Amber Heard como Mera ainda é trabalhada naquele velho e mesmo esteriótipo de mocinha de herói de Hollywood. Mas como Mera sua força e muito bem destacada. Sua personalidade forte sempre está muito a frente de Aquaman e isso é uma coisa muito boa. Apresenta um senso de liberdade feminina sem perder as características da personagem original. 
Patrick Wilson, my man! Não é atoa que James Wan carimba o rosto de Patrick em tudo o que puder. De Watchman para Aquaman, Patrick é um”vilão” coerente, acessível, muito bem representado. Orm é um Mestre dos Oceanos bem lúcido. Seu discurso não falha e sua prática, mesmo sendo brutal, não sai da lógica que ele segue como um rei. Uma maravilhosa construção de personagem! 
Aquaman filme crítica
Aos coadjuvantes, devo minhas salvas de palmas para Willem Dafoe, sempre, Dolph Lundgren, Temuera Morrison e Yahya Abdul-Mateen II como Arraia Negra. Mesmo o personagem não se destacando inteiramente. Mas, no entanto, deu um excelente gancho para um segundo filme
O que vale um adendo muito especial é o CGI. Em superfície os efeitos especias estão excelentes, ainda mais embaixo d’água. Nos primeiros minutos o efeito pode causar uma certa estranheza para os espectadores. Mas, no entanto, por outro lado, não demora muito para que você se sinta debaixo d’água. É muito visível todo o processo de animação 3D e 2D por detrás dos efeitos de ambientação embaixo d’agua, Uma técnica pioneira que a Warner conseguiu levar a frente com maestria. 
 
Sobre tudo, Aquaman utiliza muito bem suas duas horas e meia, é um filme que chegou pra mostrar que a DC ainda tem muito o que oferecer para o cinema, se tivermos um pouco mais de fé e que a Warner AINDA consegue produzir excelentes filmes de super-heróis além de Watchman e Cavaleiro das Trevas, vale cada centavo do ingresso, se puder assistir em IMAX a experiência engradece ainda mais. 

LIGA DA JUSTIÇA (2017) – CRÍTICA:

LIGA DA JUSTIÇA : DC está pegando o ritmo?

Em um filme de super-heróis os primeiros cinco minutos conta como uma regra. Ritmo é algo importante. A forma como os personagens se apresentam dita como será a próxima hora de exibição em tela. Aqui, na obra de Zack Snyder e Joss Whedon ingressamos no universo particular de cada membro dessa Liga da Justiça tão familiar para os fãs, no mesmo tom que encoraja uma nova experiência para quem está conhecendo esses personagens agora.  
 
 
Batman 1989, o tom da fotografia de Roger Pratt é denunciado nos primeiros três primeiros minutos onde o Homem-Morcego parte em perseguição ao seu novo inimigo. O trabalho de Fabian Wagner na fotografia incrementa a direção de Zack Snyder. Zack nos dá uma apresentação visual típica de seu trabalho.
Ao mesmo que não tem medo de expor as referências das quais pescou inspiração, como o clássico de 1989, os games de Arkham City e até mesmo as mais recentes animações da DC envolvendo o Homem Morcego, como o Filho do Demônio e a Corte das Corujas. Mas até aqui, dita apenas como o visual de Liga da Justiça funciona. Muitos podem considerar o trabalho de CGI fraco ou mal trabalhado, mas quando paramos para pensar em um conceito de animação, o filme entrega tudo de uma forma positiva.  
 
Liga da Justiça
 
Em construção de personagens, diferente de Esquadrão Suicida de David Ayer, onde mais da metade do filme é gasto com piadas fora do tempo, personagens cumprido tabela de aparição e mensagens soltas sobre linhas de continuidade falhas, em Liga da Justiça tudo funciona em um ritmo de apresentação onde a “teia de aranha” segue simples, clara e direta. Usufruímos a linha de história que segue cada personagem que ingressa na Liga.
Ou seja, é um filme de apresentação muito bem feito. Um vilão superficial, com um propósito superficial, dentro de uma história criada para nos familiarizar com esses personagens nessa nova visão da Warner e do próprio Zack Snyder. 
 
Conhecemos por alto as intenções e até mesmo o passado de cada um deles. Reafirmamos Gal Gadot como Mulher Maravilha e sua vida após os acontecimentos de seu próprio filme, deixamos que Ezra Miller nos conquiste com o seu próprio espirito dentro de Barry Allen, reconhecemos a força e a importância que o Cyborg tem para a liga e futuramente aos Jovens Titãs (Buya!).
Ben Aflleck foge da sombra de Christian Bale e ganhamos uma versão cowboy desgarrada de Aquaman com Jason Momoa. Cada ator nesta liga nos mostra lados diferentes destes personagens conhecidos por tanto tempo. Características próprias que funcionam dentro de tela. Os momentos onde é criado o elo próprio de uma equipe flui, é leve e descontraído, não há um ritmo pesado.  O filme funciona e muito bem.  
 
Liga da Justiça
 
Tudo fica claro. Lanterna Verde de longe que fez a alegria dos fãs. O ato das Amazonas foi uma das melhores sequências de ação. Mostrando a importância das Amazonas em si e não apenas de Diana. Pinguim em Gotham, Jovens Titãs, filmes clássicos, sim, sim, todas as referências possíveis estavam ali. Mas o mais importante é que o filme, apesar de sua quantidade abusiva de poses e frases de impacto. Com efeitos especiais exagerados e uma cena musical do portfólio de Snyder, ainda assim, fora tudo isso, o filme se encaixa.
Novamente, funciona. Entrega aquela antiga sensação de “estar em casa”, com os plot twists as surpresas bem vindas ao final, com um certo prisioneiro escapando em um iate. É uma esperança de que agora a DC, finalmente está encontrando seu ritmo e o propósito de recriar em live action suas histórias. Não é apenas sobre o visual ou a caracterização, mas é sobre o porquê gostamos dessas histórias em primeiro lugar. A fé nesses heróis.