LIGA DA JUSTIÇA (2017) – CRÍTICA:

LIGA DA JUSTIÇA : DC está pegando o ritmo?

Em um filme de super-heróis os primeiros cinco minutos conta como uma regra. Ritmo é algo importante. A forma como os personagens se apresentam dita como será a próxima hora de exibição em tela. Aqui, na obra de Zack Snyder e Joss Whedon ingressamos no universo particular de cada membro dessa Liga da Justiça tão familiar para os fãs, no mesmo tom que encoraja uma nova experiência para quem está conhecendo esses personagens agora.  
 
 
Batman 1989, o tom da fotografia de Roger Pratt é denunciado nos primeiros três primeiros minutos onde o Homem-Morcego parte em perseguição ao seu novo inimigo. O trabalho de Fabian Wagner na fotografia incrementa a direção de Zack Snyder. Zack nos dá uma apresentação visual típica de seu trabalho.
Ao mesmo que não tem medo de expor as referências das quais pescou inspiração, como o clássico de 1989, os games de Arkham City e até mesmo as mais recentes animações da DC envolvendo o Homem Morcego, como o Filho do Demônio e a Corte das Corujas. Mas até aqui, dita apenas como o visual de Liga da Justiça funciona. Muitos podem considerar o trabalho de CGI fraco ou mal trabalhado, mas quando paramos para pensar em um conceito de animação, o filme entrega tudo de uma forma positiva.  
 
Liga da Justiça
 
Em construção de personagens, diferente de Esquadrão Suicida de David Ayer, onde mais da metade do filme é gasto com piadas fora do tempo, personagens cumprido tabela de aparição e mensagens soltas sobre linhas de continuidade falhas, em Liga da Justiça tudo funciona em um ritmo de apresentação onde a “teia de aranha” segue simples, clara e direta. Usufruímos a linha de história que segue cada personagem que ingressa na Liga.
Ou seja, é um filme de apresentação muito bem feito. Um vilão superficial, com um propósito superficial, dentro de uma história criada para nos familiarizar com esses personagens nessa nova visão da Warner e do próprio Zack Snyder. 
 
Conhecemos por alto as intenções e até mesmo o passado de cada um deles. Reafirmamos Gal Gadot como Mulher Maravilha e sua vida após os acontecimentos de seu próprio filme, deixamos que Ezra Miller nos conquiste com o seu próprio espirito dentro de Barry Allen, reconhecemos a força e a importância que o Cyborg tem para a liga e futuramente aos Jovens Titãs (Buya!).
Ben Aflleck foge da sombra de Christian Bale e ganhamos uma versão cowboy desgarrada de Aquaman com Jason Momoa. Cada ator nesta liga nos mostra lados diferentes destes personagens conhecidos por tanto tempo. Características próprias que funcionam dentro de tela. Os momentos onde é criado o elo próprio de uma equipe flui, é leve e descontraído, não há um ritmo pesado.  O filme funciona e muito bem.  
 
Liga da Justiça
 
Tudo fica claro. Lanterna Verde de longe que fez a alegria dos fãs. O ato das Amazonas foi uma das melhores sequências de ação. Mostrando a importância das Amazonas em si e não apenas de Diana. Pinguim em Gotham, Jovens Titãs, filmes clássicos, sim, sim, todas as referências possíveis estavam ali. Mas o mais importante é que o filme, apesar de sua quantidade abusiva de poses e frases de impacto. Com efeitos especiais exagerados e uma cena musical do portfólio de Snyder, ainda assim, fora tudo isso, o filme se encaixa.
Novamente, funciona. Entrega aquela antiga sensação de “estar em casa”, com os plot twists as surpresas bem vindas ao final, com um certo prisioneiro escapando em um iate. É uma esperança de que agora a DC, finalmente está encontrando seu ritmo e o propósito de recriar em live action suas histórias. Não é apenas sobre o visual ou a caracterização, mas é sobre o porquê gostamos dessas histórias em primeiro lugar. A fé nesses heróis. 
 

MULHER MARAVILHA (2017) – CRÍTICA:

MULHER MARAVILHA – A DC TÁ VIVA E PASSA BEM!

Mulher Maravilha foi uma das melhores adaptações de quadrinhos com um arco fechado, perfeitamente fechado da DC, desde a trilogia de Batman Begins de Christopher Nolan e esse ainda é o primeiro filme da super heroína. Com um roteiro que entrega aos fãs toda a qualidade de referências em relação as HQ’s quanto para todo um público que está ingressando nesse novo universo de heróis. Eu iria dissecar todo o filme, mas considerando a extensão de todo o multi universo da DC, que nessa relação de teia de aranha é tão complexa quanto a Marvel, eu irei falar sobre o filme, diretamente como filme.

Em primeiro, eu quero louvar a direção de Patty Jenkins – ela deveria dirigir todos os próximos filmes da DC, ou qualquer outro filme da Marvel, porque essa mulher conseguiu realizar o que nós fãs da DC estamos pedindo há anos – Sua capacidade de nos fazer ingressar nesse universo foi incrível. Ela criou esse novo paralelo de qualidade que bate muito de frente com o “fracasso” (coloquei em aspas porque é relativo) de Batman Vs Superman. E isso é MUITO bom!

Uma coisa bem clara para o começo da história, se você não assistiu BvS, você não ira entender a relação do começo desse justo filme. Então assista.

Mulher Maravilha

Nós somos apresentados ao lar de Diana, nós somos apresentados a própria Diana. Ela é a princesa, a estudante, a adolescente, a jovem ingênua que tem um pensamento muito doce em relação a dureza do mundo real quando ela encara essa nova perspectiva humana. E Gal Gadot foi a joia mais preciosa que a DC poderia ter encontrado para interpretar nossa eterna Mulher Maravilha.

Ela é forte, rápida, linda, inteligente, mantém esse frescor do “novo mundo”. Uma coisa que preciso deixar bem clara, o filme não é sobre Mulher Maravilha. O filme é sobre Diana. A menina que nasceu princesa em uma redoma de ouro. A que foi preparada para uma guerra que poderia nunca acontecer. Acaba se chocando com essa terrível realidade da guerra no mundo dos homens e se transforma para descobrir sua verdadeira essência. Através do amor e da coragem. 

Mulher Maravilha

Essa é Diana, a mulher guerreira. E Gal conseguiu transmitir tudo isso de uma forma bem limpa e verdadeira. Não há nenhum momento, tão exclusivamente grandioso onde ela precisa exaurir o máximo seu nível de atuação, [SPOILER] exc

eto pela morte de uns dos personagens chaves [SPOILER], então não espere nível Oscar, mas espere algo leve e sincero, um bom começo. Através de um flashback, graças a Bruce Wayne, somos apresentados a origem dessa guerreira na ilha de Temiscira, onde conhecemos as Amazonas, a Rainha Hipólita e sua irmã guerreira Antílope – Quatro personagens coadjuvantes importantíssimos nesse filme. A ilha em si, o nível panorâmico da fotografia de Matthew Jensen me deixou sem palavras, a ilha em si é um personagem paradisíaco. O elenco que completa As Amazonas é de uma destreza física impressionante! Eu não assisto uma preparação física de elenco assim desde “300”. 

E as outras duas personagens coadjuvantes femininas que fecham o arco de Diana foram sua mãe e Rainha Hipólita interpretada pela belíssima Connie Nielsen e principalmente a minha querida Robin Wright. Que mulher senhores, sua Antiope ficara gravada na minha memória, que preparação, leveza, destreza, preciosidade.

O elenco coadjuvante no plano dos homens foi o padrão do padrão, elemento cômico complementando o arco de Chris Pine que realmente ME SURPREENDEU! Ele é o típico herói como ator, sempre mocinho e aqui ele ainda é isso tudo, mas ele não ofusca a Diana, ela é bem direta nas coisas que ela quer, na forma como ela age, ela o escuta, ela [SPOILER]  se apaixona por ele e tudo tem um final bem trágico [SPOILER], mas ele ajuda a Diana a encontrar seu propósito, um excelente papel coadjuvante de Chris.

Agora, sobre a trama em geral, umas das genialidades do roteiro de Allan Heinberg foi que ele soltou as informações cruciais sobre as origens de Diana de uma forma bem sutil dando margem para uma sequência bem marradinha – por isso o arco fechado – e a relação da personagem com Ares. Eu não darei spoiler sobre quem é. Ou se você não leu a HQ sobre o que ele é pra Diana, mas durante o filme tudo se encaixa da forma correta. Sendo bastante possível que na sequência, sejamos apresentados a batalha decisiva sobre a verdadeira origem da Princesa.

É um filme que mostra a força de uma personagem que ficou por muitos anos presa dentro do arco da Liga da Justiça, mas que possui uma origem complexa. E foi tremendamente incrível poder presenciar a direção de Patty dando vida a essa história de forma justa e maravilhosa. Mais uma vez ressaltando os trabalhos de cor e fotografia de Matthew Jensen. No final os efeitos especiais são bem a lá 2005. Nada muito grandioso, as cenas de batalha são IMPRESSIONANTES. Seguindo até um pouco a linha primária de BvS para indicar o mesmo universo. Mas o filme não é sobre as batalhas e sim sobre essa personagem e isso ficou bem claro.

Mulher Maravilha

Tudo está muito bem feito, vale o preço do ingresso, vale o 3D (nunca pensei que diria isso). Vale a pena conferir as HQ’S e vale colocar fé na sequência. A DC acertou e eu espero que continue nesse caminho!