BLEACH – LIVE ACTION – CRÍTICA

BLEACH – LIVE ACTION – O pedido de desculpas da Netflix!

O primeiro ponto para uma boa adaptação de um anime é encontrar o ator certo, que se adapte ao papel. O elenco nunca será idêntico ao conceito original, mas uma vez ou outra encontramos aquela presença que personifica o personagem direto da adaptação, ao ponto de não conseguirmos imaginar outro em seu lugar. E foi essa qualidade que recebemos com tão esperado, novo live action de Bleach.

Bleach

Sota Fukushi, apresentou a grande vantagem de aparentar um físico idêntico ao do personagem de anime/manga Kurosaki Ichigo, é nossa ousadia pensar que é bem possível do ator ter conferido a primeira temporada do anime, se apaixonando pela série, assim como nós. Mesmo nos pequenos trejeitos ou nas poses estáticas, clássicas de Ichigo, sua semelhança é clara. Mesmo em sua primeira aparição, de costas, o expectador pode conferir o anime/manga ganhar vida e afirmar que aquele em tela é realmente, Ichigo. 

Bleach

Mas vale um aceno para todo o elenco, que trabalhou duro para incorporar as expressões características e únicas de cada personagem da série. Temos a seriedade de Chad, o jeito único de Uryuu puxar o arco, tudo está completo. Até mesmo a atriz Hana Sugisaki, que não aparenta semelhança física com a personagem de Kushiki Rukia, carrega toda a personalidade da personagem do original em sua interpretação.

Depois de sua última aparição nos cinemas com o longa Kong-A Ilha da Caveira, parece que o artista Miyavi mostra que se apaixonou pelo campo da atuação. Ele dá vida a Kuchiki Byakuya, o frio capitão que segue rigidamente as regras dos shinigamis. O único personagem que mais se destoa do original seria Abarai Renji, interpretado pelo ator Taichi Saotome, mas todo o trejeito do personagem é tão caricato no anime que seria muito difícil para o ator se adaptar. 

Bleach

O segundo ponto importante para uma boa adaptação é: ser fiel a história original. Não adianta vir com essa de roteiro adaptado que nunca dá certo em relação à um anime. Não apenas para fanboys, mas é extremamente complicado mexer em um roteiro que já passou por duas mídias, anime e mangá, e acreditar que mexendo irá ficar melhor, é muita presunção. O diretor Shinsuke Sato, se preocupou em contextualizar todo o universo de Bleach, algo diferente de outras adaptações de animes que assistimos na Netflix, inclusive na apresentação do personagem principal, o que nos traz o sentimento do anime logo de cara, e só cresce com as músicas da banda Alexandros [escute AQUI] nos momentos de combate que traz aquele arrepio na alma. Falando em combates, os Hollows, espíritos malignos, receberam a devida atenção e quando eles aparecem a interação com os atores é muito fluída e nos faz esquecer que são gerados por computador e não um ator com 6 metros de altura.

Bleach

O filme abrange o primeiro arco do anime/manga que conta a história de Kurosaki Ichigo, um estudante folgado e valentão que possui a habilidade de ver espíritos. Ichigo sofre com a culpa de não ter protegido sua mãe e tem pesadelos com o dia da tragédia envolvendo a morte de sua mãe. Apesar da pose de marrento, ele tem um bom coração, cuidando tanto das almas, quanto de seus amigos. Uma noite, a ceifadora de almas Rukia surge em seu quarto sabendo que um Hollow está por perto. Ichigo têm que ajudá-la para proteger sua família e a partir daí eles tentam se entender para proteger a cidade de Karakura.

Bleach

Os únicos momentos que a história em tela não segue fielmente o anime/manga, fica a cargo da ação que é levada para o centro da cidade e perto da população, coisa que não acontece no anime, mas só traz uma excitação maior para o combate. Bleach finaliza de uma forma honesta para quem não conhece a obra e deixa a brecha para a continuação, pela qual os fãs já querem para ontem. 

Bleach

A dedicação aos detalhes é sensacional e lembra as primeiras produções originais da Netflix que tornaram o serviço mundialmente famoso. Como um filme para alguém que desconhece o original não apenas é divertido, como bem produzido em todos os detalhes. Para um fã de animes, esse filme traz muito mais do que se poderia esperar, inclusive com momentos de ficar arrepiado com a música no momento certo e a sensação é que recebemos um pedido de desculpas a altura pelos fiascos que foram Death Note e Full Metal Alchemist.