ENCANTADO (2018) – ANIMAÇÃO: CRÍTICA

Encantado conta a história do príncipe Felipe, amaldiçoado desde bebê a ser irresistível a qualquer mulher que encontre. Conforme cresce, o príncipe vai roubando os corações de todas as jovens do reino um a um e isso obviamente o torna odiado por todos os outros homens do local. Sua maldição dita também que em seu vigésimo primeiro aniversário, todo o amor do mundo se extinguirá a menos que Felipe consiga um beijo do seu amor verdadeiro.

Se isso já não fosse motivo o suficiente para a vida do rapaz estar tão complicada, ele também está noivo de três princesas diferentes – Branca de Neve, Bela Adormecida e Cinderela – que aparentemente são incapazes de notar que falam do mesmo homem mesmo que saibam que estão noiva do príncipe do mesmo reino, cujo rei só tem um filho. (Quero dizer…por favor, é preciso só de meio neurônio pra ligar os pontos!)

encantado charming crítica animação

E é aí que entra Lenora.

 

Lenora é uma ladra de coração congelado – ao que ela justifica dizendo “eu cresci no mar!” mas nunca realmente explica o porque de suas ações. – que acaba sendo capturada depois de furtar as joias das três princesas noivas de Felipe – E é claro de um encontro patético com o príncipe que serve apenas para mostrar que de alguma forma completamente inexplicável ela é imune aos encantos do jovem monarca -. Ao fazer um acordo com as três moças, Lenora concorda em escoltar o jovem príncipe pelo desafio que supostamente fará com que ele descubra quem é seu amor verdadeiro dentre as três moças e salvará seu reino inteiro.

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Lenora então, munida de um disfarce ridículo que consiste num chapéu e num bigode, convence o príncipe a contratá-la como guia e a aventura dos dois começa. Eles passam pelas três provações que consistem o desafio, sempre vigiados pela amarga Morgana e finalmente chegam à montanha final aonde as três princesas esperam pelo príncipe.

A premissa de Encantado não é nada fora do comum, é mais uma releitura de contos de fadas clássicos vista pelo olhar de outro personagem. É uma formula que se mostrou rentável em momentos anteriores, mas Encantado falha ao tentar entregar uma história decente. Encantado está mais para quinze clichês empilhados um em cima do outro dentro de uma hora e meia de filme do que uma releitura coesa. Com um roteiro que tenta se sustentar com meia dúzia de piadinhas e num passarinho que tenta ser a voz da razão mesmo sem dizer uma palavra, Encantado até pode funcionar na dublagem americana por uma simples questão: potência vocal.

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Enquanto a versão americana do filme conta com Demi Lovato na voz de Lenora, a dublagem brasileira escolheu Larissa Manuela para dublar a mocinha. Enquanto Demi tem uma potência vocal invejável que a deixa como escolha óbvia para interprete das músicas da animação, o mesmo não pode ser dito de Larissa Manuela.

Seria bem menos agonizante aguentar o filme se a direção tivesse tido o mínimo senso de colocar uma interprete decente para as músicas. E enquanto estamos falando de música, alguém precisa, por favor, prestar atenção nas letras das versões brasileiras das ditas músicas. Com exceção da primeira canção, que é interpretada pelas três princesas noivas, cada nova música era mais um quilômetro ladeira abaixo.

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Das coisas boas do longa podemos citar as pequenas piadinhas que o roteiro consegue encaixar, a sequência das mulheres gigantes que é o ponto alto da narrativa e a caracterização das três princesas. De resto, Encantado parece mais uma desculpa para gastar dinheiro. Corrido, incoerente e se eu tivesse de resumir em uma palavra: meh.