AS VIÚVAS – CRÍTICA FESTIVAL DO RIO 2018

As Viúvas (Widows), filme escolhido para abrir o Festival do Rio 2018, é a nova produção do aclamado Steve McQueen, responsável por trabalhos como 12 Anos de Escravidão e Shame. Dirigido e roteirizado por McQueen, o longa ainda conta com a parceria de Gillian Flynn (do excelente Garota Exemplar), que também assina o roteiro. Como se a parceria entre os dois já não fosse suficiente para nos fazer sair de casa e correr no cinema, a produção ainda conta com nomes como Viola Davis, Michelle Rodriguez, Elizabeth Debicki, Colin Farrell, Liam Neeson, Daniel Kaluuya e Robert Duvall. Mas o que esperar? Eu te digo: um thriller sensacional, em todos os sentidos.

As Viúvas festival do rio 2018 crítica cinema

As Viúvas, narra a história de quatro mulheres que tem suas vidas bagunçadas ao perderem seus maridos em um trágico acidente. Após um plano dar errado, o grupo de criminosos composto pelos maridos morre e suas esposas decidem se unir para aplicar o próximo roubo programado por eles. Enquanto isso, em paralelo, uma disputa política pelo governo de Chicago está em andamento, entrelaçando as histórias.

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Embora o enredo possa aparentar um filme de suspense policial previsível, aqui nós temos o dedo de McQueen e Flynn e nada de previsível poderia sair dessa junção. As Viúvas trabalha temas importantes e chama a atenção para relações familiares, jogos políticos e conjunturas sociais. Não temos aqui um filme sobre roubos ou sobre mocinhos e bandidos, aqui a teia que se cria é complexa e engloba diversas tramas que se encontram em uma narrativa certeira.

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Além da narrativa, possui uma história amarrada e sem pontas soltas. A trama vai nos dando pistas e entregando as repostas (mas não todas) aos poucos, sem estragar o clímax final, é claro. Aqui você fica tentando juntar as peças que vão aparecendo desse enorme quebra cabeça composto por personagens tão reais e tão humanos.  

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A carga emotiva do longa fica por conta das protagonistas. Viola Davis é indiscutivelmente o tipo de atriz que nunca desaponta, sua Verônica é uma mulher forte e determinada, que mesmo carregando traumas passados segura a barra sem perder a compostura. O foco principal se encontra em Veronica, o que não necessariamente tira o brilho das outras mulheres, Michelle Rodriguez entrega aqui uma Linda decidida e preocupada com os filhos (bom ver Rodriguez em papeis mais diversificados) e Elizabeth Debicki que mostra em Alice uma mulher aprendendo o seu próprio valor. O time de mulheres e o empoderamento feminino que o longa nos traz é a cereja do bolo de McQueen. Os coadjuvantes também nos presenteiam, um salve para Daniel Kaluuya, Liam Neeson, Colin Farrell e o veterano Robert Duvall. Impecáveis!

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Não me espanta dizer que As Viúvas é outro acerto na carreira de McQueen, uma trama inteligente e bem construída, cheia de ação, suspense e reviravoltas. E que para além de todos esses pontos positivos, carrega uma crítica social pertinente o que dá a produção um roteiro poderoso. Já podemos esperar as indicações.

CURIOSIDADES (ALERTA DE SPOLIER) 

*FIQUEM DE OLHO NA CACHORRINHA

*O longa conta com diversas cenas incrivelmente bem construídas, segue algumas que merecem atenção:

– A cena de abertura mostrando os maridos em uma perseguição de carro enquanto mescla com cenas dos mesmos com suas esposas evidencia a dualidade na vida dos personagens, a divisão entre o racional e o sentimental.

– O plano sequência do carro de Jack Mulligan (Colin Farrell) descendo a periferia de Chicago e indo até a parte rica enquanto o personagem de Farrell discute a pressão de seguir os passos do pai na política.

– A cena final em uma cafeteria envolvendo as personagens de Davis e Debicki. O jogo de câmera é impressionante.