EXTINÇÃO – #originalnetflix – CRÍTICA:

EXTINÇÃO – Netflix fracassando outra ideia jogada de Hollywood

Esta difícil da Netflix acertar, estamos vendo tropeços em cima de tropeços. Buscando filmes que estão sendo rejeitados por Hollywood, a rede de streaming tem comprado ideias como Aniquilação, estrelado por Natalie Portman, os sofríveis Cloverfield Paradox, Próxima Parada: Apocalipse e Extinção com a ideia boa mas executada errada. Começo a achar que Netflix funciona mesmo é na base da sorte. 

Extinção

Juro que assisti Extinção na tentativa de me agradar, depois do TAU – outra ideia boa que ficou uma bagunça –  assistir esta adaptação na intenção de terminar falando bem do filme. Mas infelizmente Netflix continua tropeçando. O filme Extinção nos deixa na duvida da sanidade do protagonista. Se tudo o que está acontecendo é realmente real ou não e até que ponto devemos acreditar. Sem mencionar toda a loucura desse mundo futurista. A atuação de Michael Peña esta boa, infelizmente o filme não exige muito dele, ele faz o que pode para entregar um bom trabalho. 

Extinção vem carregado de algumas reviravoltas, umas dão muito certo e outras não, temos a virada do drama para um longa de ficção cientifica e percebemos que um dos maiores problemas deste filme está na direção. Dirigido por Ben Young, temos muitos problemas de construção aqui. A edição é precária, com cortes sem sentido, closes exagerados e cenas de lutas em que você não entende quem está apanhando de quem. E MUITAS cenas sem sentindo. (Todo mundo sendo atacada e ao invés do povo fazer silencio para conseguir se salvar, faz barulho. Vai lá fazer barulho, tu é figurante, feito pra morrer estupidamente mesmo).

Extinção

Extinção só não é tão ruim porque Próxima Parada: Apocalipse é pior e o carisma de Peña salva, mas tirando isso, não vejo nada produtivo e bom no filme, o roteiro que ate começa bem escrito por Eric Heisserer (A Chegada 2016) como roteirista principal – nem dá pra acreditar que é do mesmo roteirista – se perde nas próprias soluções que o filme dá. Em falar em roteiro, são três roteirista, talvez esse tenha sido o fator de errado em alguns furos, mas nunca saberemos. A ideia do filme é ótima, o plot twist ate que é maravilhoso. Mas até chegar nessa parte eu já nem estava mais ligando pela ideia boa que o roteiro teve. Nem ao menos me importando quem morria ou não!

Extinção é um filme que Hollywood jogou fora e Netflix literalmente catou e não conseguiu fazer um trabalho legal com ele. Mas mesmo assim é um filme que dá para assistir, tirar suas próprias conclusões e ficar de queixo caído com o plot twist, uma pena que o roteiro não se sustenta e a direção não ajuda. 

A CHEGADA (Arrival: 2016) – CRÍTICA :

A CHEGADA (2016) – A linguagem visual de Villeneuve

Tenho a certeza em afirmar que, Stanley Kubrick e Michael Crichton habitam em na  A Chegada de Denis Villeneuve.  Toda a temática alienígena, em que nos deparamos com seres de outros mundo – ou Universos – dentro de nosso habitat natural, exala uma especia de dúvida e medo. Em primeiro, porquê não se trata apenas de uma ação ficcional como em “Alien – O 8º Passageiro”, não estamos mais falando sobre a sobrevivência da raça humana na batalha de recursos de “Independence Day”.
A Chegada
Na verdade, estamos conversando constantemente sobre a própria existência, o próprio saber e nosso lugar dentro desse vasto Infinito. A ciência não se torna mais uma sinal de evolução, mas sim uma questão de sobrevivência, que se consome em sempre buscar mais poder. Essa é A Chegada de Villeneuve. 
 
A principal ideia de A Chegada é que, o conhecimento e a compaixão irão se tornar os elementos da salvação do mundo. O filme se dá com a resposta da humanidade perante a chegada de doze receptáculos aliens que pousam na superfície da terrestre, sem tomar qualquer ação, simplesmente pousando passivamente em nossa atmosfera.
A Chegada
O exército americano chama Louise,  – personagem de Amy Adams, uma linguista experiente, a melhor de sua área – para tentar se comunicar, -uma boa nota de encorajamento evidenciando que Hollywwod está mais interessado, agora, em colocar pensadores como heróis, ao invés do clássico “american cowboy soldier” para salvar o dia. 
 
O filme, essencialmente, segue Louise lutando para compreender a língua alienígena; enquanto tenta intervir das decisões bélicas do poder militar doméstico e estrangeiro, levando a “conversa” como uma melhor opção para uma direta forma de comunicação. Ela realmente é a pessoa mais emocional da base, enquanto suas tentativas de comunicação com os aliens a remete para dolorosas lembranças de seu intenso passado.
A Chegada
Essa emoção, para nossa surpresa, não é uma fraqueza, mas um senso único de força, conforme o filme segue preocupado em mostrar como os seres humanos saem da idealização e lidam com o medo e tragédia; como renascemos por isso ao invés de nos determos pelos obstáculos. A força de Louise em lutar por aquilo que ela acredita, saber exatamente suas habilidades e limites é o que melhor define A Chegada
 
Claro que levamos isso como uma percepção subjetiva. A ideia do filme segue por margem de interpretação. Há muita evidência lá fora que afirma que não sabemos como as percepções diferenciam até que tenhamos uma palavra anexada a ela, por exemplo, podemos ver o amarelo, mas até que conheçamos a palavra amarelo, o amarelo é indistinguível. Num plano semelhante, as emoções são tão inexploradas em termos de potencial linguístico. 
A Chegada
Nosso espectro emocional é vasto e indefinível, mas para articular como sentimos que recorremos a um pequeno conjunto de palavras para descrevê-los. Uma vez que surgem as palavras certas que se integram em nosso vocabulário, somos capazes de descrever nossos sentimentos de uma melhor forma e, sendo assim, temos uma capacidade maior em empatia e criamos um senso de razão. Essa incrível capacidade linguística por aprendizado nos fornece o meio de perceber o mundo. Essa é a ideia básica de A Chegada.
Que, ao encontrarmos uma espécie, tão diferente da nossa, a única maneira de se conectar e se comunicar de verdade com eles, é mergulhar completamente no que eles estão vendo, pensando e sentindo. Para podermos adentrar seu mundo, melhor entender, empatia.  Encontrar uma maneira diferente e assustadoramente nova de ver, um conceito que muitos enxergam e  opõem aos fins da Terra. 
A Chegada
Em um nível menor; Isto se estende à comunicação entre povos de raça, gênero, crença. A empatia é extremamente necessária. A clareza com que falamos e articulamos nossas intenções é quase tão importante quanto o conteúdo real da mensagem. A Chegada  é um lembrete de que as nuances verbais são, por vezes, precursores de destruição em massa. Ou, a melhor arma para a salvação. 
 
Um dos meus diretores favoritos, e certamente um dos melhores diretores dos tempos de hoje, Denis Villeneuve tem provado ser um mestre em tom e visão. Visualmente e através de pistas musicais, ele constrói ricos cenários,  texturas e paisagens sonoras; Estranhas e muito significativas. A primeira interação do ser humano com o alien é tão maravilhosamente construída. Tão impecável em forma de execução, que brinca com referencias de alguns clássicos da ficção científica, mas ainda consegue trazer algo completamente refrescante e novo.
A Chegada
Ele mantém isso durante todo o filme, mudando de sci-fi  para um poderoso impacto emocional com um simples truque de luz e som. Eu estava totalmente imersa do começo ao fim.  Temos a capacidade de sermos grandes, mas desperdiçamos com ignorância e preconceito.  Essa necessidade de Louise de decifrar essa linguagem alien não é diferente da nossa própria necessidade de simplesmente falar com aqueles que se opõem a nós, e se comunicar com aqueles que tememos. 
Não estou dizendo que esta é a solução universal. Mas certamente é um método que poderia ser aplicado com mais frequência . As palavras têm um significado além do que podemos imaginar. Este filme é um lembrete de que a comunicação oferece o melhor caminho para a humanidade; Uma luz brilhante em um mundo de incertezas preocupantes. Villeneuve fornece a ideia essencial e complexa a este filme. Enquanto Adams fornece a humanidade que o transforma em algo verdadeiramente lindo. 
 
Eu preciso ver isso novamente para de uma forma mais técnica, pensar de forma geral como um filme, para, talvez assim, construir uma crítica mais prática. Mas é  porque dessa primeira vez eu só tinha olhos para a mensagem. Esse definitivamente, é o meu tipo de sci-fi.