CAROL ( 2015 ) – CRÍTICA :

CAROL: Emocionante, sensual e romântico

Por mais que para alguns a trama de Carol possa parecer um tanto simples e com um final até previsível. Entender a profundidade desses personagens está longe de ser algo tão fácil assim.

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Uma mulher extremamente sedutora, misteriosa, que carrega em seu ar de superioridade aquele misticismo agridoce que nos deixa hipnotizados. Seria difícil encontrar uma outra atriz que não fosse Cate Blanchet para interpretar Carol Aird. Esse filme poderia ter corrido o sério risco de ser algo clichê ou até previsível. A personagem carrega todos os mesmismos de filmes de temática próxima – foi assim em Blue Jasmine, trabalhamos do senso irônico até o máximo do drama, sem deixar a peteca cair de mostrar que Jasmine não é a boa moça do filme, e que seu ar dramático esconde uma personalidade egoísta, nada prática e fora da realidade.

Mas ao contrário de Jasmine, conseguimos sair da superficialidade e entender melhor essa personagem que tinha tudo para ser a coadjuvante e se torna o elo principal. Entender a mulher, mãe, esposa, que vive uma vida presa na conveniência pelo amor de sua filha e não pela sua necessidade de ser feliz. O que se transforma na complexidade, já que, assim como Therese, temos essa sensação de que Ela poderia ir embora a qualquer momento, nos deixar nessa descoberta das nossas vidas e por isso só, também acabamos por idealizar Carol. – Cate Blanchet é como… Nem dá pra explicar. 

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É essa áurea enigmática o redor dessa mulher, sua transformação, seu apelo, é como finalmente entender uma pintura que já estava pendurada na parede por anos. Olhar de verdade para uma personagem que foi construída ao longo dos anos e alcançar sua verdadeira forma, verdadeira plenitude. Todd Haynes, me deixou exausta com essa atmosfera cheia de emoções pesadas, é uma montanha russa com drama, tesão, o mais intimo do meu eu. É ter Todd Haynes como agulha e a trilha sonora de  Carter Burwell como tinta. É tatuar Carol na pele. 

Eu tenho algumas reservas sobre o talento e a abordagem da carreira da irmas Mara. Não que Kate ou Rooney tenham algum problema de atuação – talvez seja a escolha de terminados personagens que não casem bem com os estilos individuais delas como atrizes. Therese Belivet tem esse quê sonoro de irritação e imaturidade que não sustenta tanto sua personagem como uma querida. Mas ao longo do filme, a interpretação de Rooney garante o lugar de Therese e buscamos entender mais o que acontece na cabeça e no coração dessa mulher, que se descobre apaixonada por outra mulher, mais velha, mais experiente e muito mais problemática.

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E é nisso que o filme poderia ter se tornado o clichê. Therese é jovem, imatura, não sabe o que quer da vida, tem um namorado, mora em um apartamento não tão bom assim, tem um emprego que ela considera abaixo de seus padrões e é medrosa. Então, essa mulher, com batão vermelho e esse olhar hipnotizante chega e transforma Therese, transporta ela para fora de sua concha e ela finalmente vê o mundo com outros olhos, mas acabam tendo que por um fim no relacionamento. Therese muda, mas Carol poderia continuar a mesma e o filme servir apenas como uma lição simples de autoconhecimento.

Aqui, isso não acontece assim tão facilmente. Therese tem o alto de seus defeitos como essa jovem mimada e arrogante, que não encontra o seu lugar no mundo. Enquanto nós, junto com ela, idealizamos Carol ao máximo de nossos sentimentos. E até esquecemos que ela tem seus problemas, pensamos apenas no”tudo vai dar certo, felizes para sempre”. Então, quando elas se separam e passamos pela mudança de Therese, pela mudança de Carol, saímos da idealização, entramos na realidade, de que um relacionamento assim, só poderia ser cheio de conturbações e que exigiria algum sacrifício de algum dos lados.

Somos um público egoísta. Nunca pensamos no sacrifício.

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É um filme sobre amor, responsabilidade. Os direitos da mulher em uma época ainda muito pensada para o homem, preconceito, e a relação dessas duas mulheres que estão se descobrindo juntas. Sarah Paulson é sempre um tiro de talento e com Cate Blanchet formam a dupla perfeita. E foi refrescante ver Kyle Chandler em um bom papel, para variar.

A palheta mate, escura e séria de Edward Lachman, criou o clima pessoal, introspectivo, certeiro para focar na apresentação dessas personagens fortes,. A fotografia não é algo tão impactante de primeira. É suave, é sutil em sua dinâmica, não é atrapalhada ou rápida, tudo toma seu tempo, em conjunto com essas cores opacas fortes. Principalmente quando entendemos o vermelho. Não como se referindo a sedução, mas se referindo a mudança, a coragem, e isso casa perfeitamente com o tom que o filme segue. Fora que todo o roteiro de Phyllis Nagy e Patricia Highsmith se transforma na apresentação perfeita para o trabalho da dupla desses diretores- A cena em que elas fazem amor ainda está na minha cabeça –

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Para conclusão? O longa mereceu cada indicação ao Oscar, cada prêmio recebido. Cate Blanchet, ainda é a Rainha de todos nós e vai ser difícil superar Carol.

EU TE AMO RENATO – CRÍTICA :

EU TE AMO RENATO – O FILME PASSA A MENSAGEM, MAS PERDE O RUMO

Assisti Eu Te Amo Renato por conta que a foto promocional me chamou atenção. Essa é a verdade, porquê até então nem nunca tinha ouvido falar. Não pela minha falta de interesse no cinema brasileiro. Muito pelo contrário. Mas é que com toda essa onda de filmes sobre e para Renato Russo, ele meio que se perdeu entre umas homenagens e outras.

Eu te amo Renato

O longa conta a história de um trio de amigos que em meio a algumas cachaças e Legião como trilha sonora, descobrem o que é o sexo entre si, amores não compreendidos e amores perdidos. O film se torna bem genérico e dentro dos primeiros quinze minutos se tem ideia do que vai acontecer no final, já vimos essa história antes. Mas não é um filme ruim, tem alguns aspectos falhos, mas no modo geral é um bom filme.

Eu te amo Renato

É complicado fazer uma crítica para um filme brasileiro, sendo ele bom ou ruim. Não pelo gramado do vizinho ser mais verde. Mas sim pela expectativa que se cria sobre um filme nacional. Vai ser bom dessa vez? Não vai? “Ah o cinema brasileiro não presta!” Mas de forma geral o filme precisa ser visto como um todo e não baseado em sua nacionalidade. Temos muita merda, mas também temos coisas muito boas e “Eu te amo Renato” tá entre ai.

Em alguns momentos do filme, principalmente onde só se tem os três jovens se amando e aquela música perfeita de Legião Urbana tocando no fundo, parece que o filme foi dirigido pelo próprio Renato Russo, é o clipe perfeito para a música perfeita. Não há aquela força na atuação ou cena, dá pra sentir que é algo natural, dá pra sentir o desejo e a paixão dos personagens. Mas ainda assim o filme se resume a sexo, dentro e fora do trio principal. O roteiro, escasso que é, força uma poesia constante, as vezes bem declarada, as vezes não, mostrando o quão forçado está a atuação dos atores, independente do filme ter baixos recursos ou não.

Eu te amo Renato

Os personagens terceiros, como o pai, o irmão, a mãe e a louca do bar, de nada acrescentam e poderiam nem sequer existir no filme, são desnecessários do começo ao fim. A relação dos personagens não é explorada de forma alguma, é só sexo na fazenda. A trilha sonora é boa, além das músicas de Renato Russo ainda tem Janis Joplin, Eric Clapton, Paralamas e os clichês afins.
Parece ter sido filmado todo em um fim de semana, os cortes são bem propositais e o final além de ser incrivelmente previsível e clichê não nos dá nada que acrescente tanto para um desfecho quanto para um futuro em aberto.

Parece que Fabiano Cafure se focou mais na trilha sonora e em produzir algumas cenas de clipe musical do que na história em si. Mas não é de se negar que o filme tem uma linda fotografia.
O filme foi selecionado para ser exibido no Rio Festival Gay de Cinema em 2013, a intenção é boa, mas falhou no processo. Em meio a isso, é um longa pra conhecer, sentir vontade de escutar Legião Urbana e deixar pra lá. O filme foi diretamente disponibilizado na internet: