ROBIN HOOD – A ORIGEM (2018): CRÍTICA

ROBIN HOOD – A ORIGEM: UM BLOCKBUSTER DE AÇÃO

Não há absolutamente nada de errado com um bom blockbuster com uma ação exagerada, um vilão caricato e um mocinho arrogante e despretensioso. As vezes isso é tudo o que precisamos. Acrescente uma lenda ainda milenar e vos apresento Robin Hood  – A Origem. Aproveitar um bom filme de ação faz bem pra alma, de tempos em tempos.  
Derivado de uma lenda urbana inglesa e baseada nos poemas do escritor inglês William Langand, circa de 1377 – Robin Hood é aquela velha história do herói nobre que rouba dos ricos para dar aos pobres. Foi a partir desta mistura de lendas, passadas e outros contos que também influenciou ao escritor norte-americano John McCulley a escrever o nosso herói Zorro. Robin Hood – A Origem marca a 15º adaptação desta lenda em cinema. (doze filmes e três animações). A primeira datada de 1922, com Douglas Fairbanks, com a mais famosa de 1991, com Kevin Costner e Morgan Freeman e a mais recente de 2010 com Russel Crowe dirigida por Ridley Scott. 
Robin Hood - A Origem crítica review resenha
Nesta adaptação dirigida pelo novato Otto Bathurst, roteirizada por David James Kelly (Logan), seguimos uma mistura um tanto quanto steampunk pós moderna do filme de 1991 com algumas referências do longa de 2010. Robin Loxley é um jovem nobre, que conhece a ladra Marian (que nessa versão não é nobre), os dois se apaixonam, mas ele é chamado pela Igreja e Estado a ir lutar nas Cruzadas, quando ele retorna, as coisas estão um pouco diferentes, Marian está “casada” com Will Scarlet e o Xerife de Nottingham abusa de seu poder e autoridade em nome da Igreja e da guerra. 
Robin Hood - A Origem crítica review resenha
Essa jogada moderna pode incomodar um pouco alguns fãs da lenda, justamente pela fidelidade de ambientação que os longas de 1991 e 2010 deram como referência. Temos pólvora, armas explosivas, fogo e uma arquitetura gótica-moderna, luzes e cores, mas é algo muito bem vindo para essa nova fase de re-contar lendas antigas. A direção de arte e fotografia do filme está impecável em sua montagem. Cada personagem tem seu próprio set de cores, Robin com cores azuis, preto e amarelo, Marian bastante roxo, vermelho, e Tuck com seu verde e amarelo. 
Taron Egerton não sai muito da sua linha de Eggsy em Kingsman, tirando o sotaque da Baixa Londres, agora com uma tonalidade mais refinada, ele ainda é Eggsy, mas consegue dar uma amadurecida em seus trejeitos. Ele é um bom Robin, ele consegue passar um nível de emoção muito bom pra sua atuação e para o roteiro, ele te faz acreditar em Robin Hood. Ele cumpriu bem o objetivo do roteiro e da direção. 
Robin Hood - A Origem crítica review resenha
Jamie Fox, excelente como sempre. Aqui, seguindo os passos de Morgan Freeman, em referência ao longa de 1991, foi refrescante aprendermos sobre o passado dele, ao conhecer Robin, toda a sequência de guerra das Cruzadas está lindamente feita em referência aos recentes filmes de guerra, usando Iraque e Afeganistão como plano de fundo e ele ainda cumpre a função de ser o Little John, braço direto de Robin Hood nas lendas. Ele é inteligente, o nível de treinamento está no ponto, tanto de Jamie quanto de Taron e a dupla possuí uma boa química em cena. 
Robin Hood - A Origem crítica review resenha
Os personagens coadjuvantes seguem suas determinadas marcações, Eve Hewson como Marian e interesse amoroso de Robin Hood, não cresce muito, mas incrementa uma versão bem mais independente da personagem na história, Jamie Dornan como Will Scarlet, é esquecido durante toda a trama, foi um atraso até, mas como o filme deixa muita brecha para uma sequência, acredito que ele ainda possa crescer como personagem e Tim Minchin como o Frei Tuck é o alívio cômico do filme. 
Robin Hood - A Origem crítica review resenha
A indicação de uma sequência para a criação de uma possível franquia se dá ao ritmo da história. Na lenda original, Robin Hood luta contra a monarquia ditatorial do Rei John, irmão do Rei Richard, Coração de Leão e por consequência o Xerife de Nottingham. Aqui, Robin luta principalmente contra a Igreja, querendo se tornar um Estado absoluto. Uma jogada bem inteligente em questões de fidelidade histórica a época que o filme se passa. Apesar de Ben Mendelsohn ser um tanto caricato como o Xerife (uma referência ao Rei John de Alan Rickman de 1991), ele se deu um bom vilão, pra começo. 
Robin Hood - A Origem crítica review resenha
A direção de Otto Bathurst bebe de forma voraz na filmografia de Guy Ritchie, mas para um começo de carreira, com indicações boas de direção, acredito que ele começou promissoramente bem. Podemos esperar mais daqui pra frente. 
Robin Hood - A Origem crítica review resenha
De todo, Robin Hood – A Origem, tem suas falhas, bem obvias, seus furos, bem óbvios, mas é uma boa sequência de ação, adrenalina e um excelente filme para aproveitar no final de semana. Como eu disse, as vezes uma boa ação clichê, com uma história pré-pronta, é tudo o que precisamos. 

Yippee ki-yay, motherfucker!