DOUTOR SONO (2019) – CRÍTICA:

O ano de 2019 tem sido interessante para as obras de Stephen King. Depois do a impactante sequência de It: A Coisa e da adaptação de Campo do Medo, pela Netflix, é a vez de descobrir o que aconteceu com Wendy e Danny Torrance na sequência do icônico O Iluminado; Doutor Sono.

Doutor Sono

Não é surpresa que grande parte do público ainda esteja apegada fortemente ao filme de Stanley Kubrick, que é uma das adaptações mais aclamada e amada pelos fãs. O que deixou Mike Flanagan com o desafio de criar um longa que não só conversasse com o passado, mas que tivesse um sopro de novidade. E a notícia boa é que o diretor faz isso com uma precisão quase cirúrgica.

Doutor Sono nos apresenta a um Danny Torrance (Ewan McGregor) em seus 40 anos. Ele é, de início, nada mais do que uma “casca humana” recheada de violência e alcoolismo. Danny, que aprendeu como conter os fantasmas de seu passado, não “brilha” mais, e está contente com seu emprego como enfermeiro em uma clínica para doentes terminais.

Doutor Sono

Tudo parece melhorar pra Danny quando ele consegue se manter sóbrio, empregado e moderadamente feliz. Da sua antiga vida só sobraram uma estranha habilidade premonitória à morte e um estranho amigo com quem Danny se corresponde por mensagens escritas em sua parede.

O correspondente de Danny é a jovem Abra Stone (Kyliegh Curran), uma pré-adolescente de 13 anos que também é iluminada. Sua habilidade, tão absurdamente maior que Danny possuía quando criança, não demora a ser notada por um grupo denominado O Nó. Seres obscuros que se alimentam de pessoas iluminadas.

Doutor Sono

Ciente do perigo, Abra pede que Danny a ajude a lutar. Abra é corajosa, astuta e por vezes, até impiedosa. É ela que movimenta as coisas, instiga que Danny aja e se recusa a voltar atrás. E aqui é o ponto que difere tanto esses dois personagens: enquanto Danny, fruto de uma vida instável, quer se esconder e fugir. Abra entende de primeira que lutar é a única escolha. Esconder sua iluminação é impossível dado ao volume bruto de sua força psíquica. E fugir seria apenas adiar o inevitável.

Com 2h30m de duração, Doutor Sono é um presente primoroso para os fãs de terror. Sem se aparar em muletas como jump scares baratos, Mike Flanagan entregou um filme bem feito. Bem editado, com maestria no uso de efeitos práticos e principalmente com um roteiro inteligente, especialmente a partir do segundo ato.

Doutor Sono

Dizer que Doutor Sono é uma obra tensa é falar pouco. Especialmente porque, comparado a O Iluminado, em Doutor Sono temos mais coisas em risco. Enquanto no filme de 1980 a narrativa se resumia ao Hotel Overlook, em Doutor Sono as portas se abrem pra revelar um mundo faminto com perigos nos lugares mais inesperados.

Na questão de referências ao passado, Flanagan bebe da fonte sem pudor algum. Seja reutilizando a impactante trilha sonora ou refilmando a cena em plano baixo onde Danny passeia pelo hotel em seu triciclo. E esses detalhes funcionam muito bem pra deixar a narrativa rica. Mas não são usados à exaustão a ponto de fazer Doutor Sono funcionar apenas na nostalgia. No final, Doutor Sono lembra-se de fazer o que O Iluminado não fez e fecha de vez a história do Hotel Overlook. Ou quase.

IT A COISA 2 ( 2019 ) CRÍTICA :

IT – A COISA 2: Uma boa apresentação mas que perde no terror e intenção.

Levando em consideração o peso em que a Warner, tem sob suas costas em relação a continuação de IT: A Coisa. Segue um aumento em peso das expectativas por cima de IT: A Coisa 2. Não só no quesito produção, em comparação com o filme anterior de 2017. Mas, levando em consideração a produção como um produto. Visto que o primeiro filme teve uma superprodução, e faturou em sua bilheteria US$ 700 milhões. Tornando-se um triunfo para o gênero de terror nos cinemas. Para que assim supere seu antecessor.

IT: A Coisa 2

Novamente temos um alto orçamento deliberado pela Warner para IT: A Coisa 2. Com intuito de não apenas seguir uma narrativa de acordo com a obra literária (já que é uma adaptação). Como também introduzir a origem do palhaço maníaco, Pennywise. IT: A Coisa 2 entrega uma boa adaptação. Porém, sua falha da-se em buscar entregar um show de CGI junto à uma longa duração em tela. No qual falta de coesão no ritmo de sua narrativa.

Devido a um roteiro bem circular no capitulo I, o grupo enquanto criança são atacados e aterrorizados por uma entidade maligna. Que em comparação com a sequência perde-se muito a correlação com as diversas histórias. Apresentando a IT: A Coisa 2 um ritmo lento, cansativo e com inúmeros momentos paralelos da narrativa. Já para manter a essência do terror, eles utilizam dois recursos: O primeiro; é o jumps-scares e o segundo; o uso incisivo de CGI que de certa forma possa vir a incomodar muitos. Já que tira todo o realismo em torno das cenas.

IT: A Coisa 2

A trama de IT: A Coisa 2 se perde em seu segundo ato. Isso ocorre já que toda construção formada dos personagens chega através de flashbacks… De grosso modo, teve um erro na direção de edição já que muitas cenas contidas no filme, poderiam apenas não serem inclusas. Para que assim não tirasse a coesão, muito menos a sensação em que o suspense tentava passar em devidos momentos. Mesmo assim, a direção optou por takes individuais de cada um dos membros do losers club. Causando mais desgaste de cenas já conhecidas. 

No entanto a causa do ritmo arrastado de IT: A Coisa 2 não gira em torno da belíssima fotografia e estilo criativo do diretor Andy Muschietti. Que junto ao roteirista Gary Dauberman mantiveram, de forma respeitosa, as determinadas cenas esperadas pelos leitores da obra. Porém, novamente dá-se a má construção dos flashbacks transparecendo inúmeras vezes dificuldade em manter o telespectador vibrado com as nuances passadas em tela.  Com isso, uma narrativa arrastada e um ritmo muito lento fizeram com que o clima de interesse decaísse inúmeras vezes.

IT: A Coisa 2

De acordo com as personalidades e caracterização já apresentadas pelos atores juvenis do capitulo 1. Desta vez temos o ilustre James McAvoy, que por outra certifica-nos como um dos atores mais eficientes de Hollywood e destaca-se como o protagonista Bill. Bill Hader, como Richie, adulto torna-se o alivio cômico do filme. Ele consegue trazer todo o drama que rege o personagem e ainda inserir humor. E claro, o aclamado Bill Skarsgard, Pennywise que desta vez o mesmo incluiu outras personalidades ao macabro palhaço.

IT: A Coisa 2

Contudo IT: A Coisa 2 é uma boa sequência. Os flashbacks ajudam sim ao espectador a montar uma imagem dos protagonistas. Assim como abordam temas sobre: abusos, traumas e solidão. Porém isso poderia ser feito de uma forma mais enxuta. De certa forma IT: A Coisa 2 é inferior ao capitulo 1. Mesmo que haja uma magnificência em torno deste projeto em que foi adicionado humor, aventura e drama. Fazendo com que o terror transparecesse apenas uma fobia de criança.